Quase não dá para ficar chateado com o empate do Flamengo com a Portuguesa. Mentira, dá sim. Que amarelada. Mas, por outro lado, foi o melhor jogo desde… Flamengo e Atlético Mineiro. Foi infinitamente bom de ver e infinitamente angustiante torcer.
Se fosse Pororoca do Norte e Pituca FC eu estaria sorrindo de uma orelha à outra. Gol de mão, pênalti que o juiz manda voltar, expulsão marota, umas duas ou três grandes defesas de cada lado, dribles fantásticos do Ibson e do Diogo dentro da área do adversário… e amarelada no final. A jogada foi emblemática do Flamengo - Juan, o melhor e mais taticamente indisciplinado jogador do Brasil (e isso não é uma crítica, pelo menos não aqui), pega a bola na ponta direita, parte para dentro e sofre o pênalti. Ibson, um dos volantes mais habilidosos e eficientes, vai lá e converte. Mais ou menos assim.
É claro que tudo isso poderia ter sido evitado se o Jaílton não tivesse voltado a ser o Jaílton e cometido um pênalti mongolóide. Ou se o acarajé mágico do Obina, o Obama brasileiro, não tivesse acabado - eu juro que quando ele entrou eu pensei que esse era o típico jogo em que o infeliz marca gol. Não marca. Não mais. Fez menos do que o Souza, que cada vez mais me convence de que ele é um Toró no corpo de um Shaquille O’Neal; tem alguma habilidade fora da área, protege bem a bola, mas volta e meia prende e muito e é pura ineficiência na frente do gol.
E o tal do Diogo, hein? Ele e o Juan foram os melhores em campo. Ao contrário do Ibson, o sangue frio falou mais alto e ele fez o pênalti que o juiz mandou voltar. Foi um perigo constante, se movimentando o tempo todo, com habilidade para prender a bola no pé e tamanho para aguentar os trancos da zaga. Jogou quase sozinho e segurou a onda, incomodou o tempo todo. Não tinha uma bola no ataque da Portuguesa em que ele não estivesse na jogada.
Com o Juan..bem, foi o de sempre. Passou bem, mostrou visão de jogo, criou chances, roubou umas bolas. E não foi o suficiente. Não vou dizer que agora é puro sinal vermelho no Flamengo, porque na pior das hipóteses o time termina a rodada em segundo. Mas é preciso contratar pelo menos mais um homem de frente. Talvez o Éder ainda engrene, mas não é suficiente. E, mais uma vez, ficou claro que não dá para confiar no Tardelli, que, de resto, até correu bastante.
(O Tardelli é o anti-Marcinho. A gente vê ele correndo muito, tentando muita coisa, fazendo umas jogadas doidas de bonitas, mas, no fim das contas, a câmera sempre corta para aquela expressão de “ai, meus sais, foi quase” dele no fim do lance.)
Que frustração. Para cada coisa boa do jogo de hoje há uma ruim.
Bom: o Flamengo jogou melhor do que no domingo, tocou mais a bola, parecia mais ligado no jogo.
Ruim: além de dois pênaltis muito bobos, a Portuguesa chegou cara a cara várias vezes. E naquele drible do Diogo quase deu vontade de torcer para ele marcar.
Bom: Léo Moura atacou bem mais, principalmente no primeiro tempo, e, com a volta do Juan, o Flamengo conseguiu esgarçar a defesa da Portuguesa e criar espaço em campo.
Ruim: o espaço extra adiantou muito pouco porque metade das vezes o time tentava começar a jogada pelos pés do Cristian.
Bom: o time conseguiu sair na frente, levou o empate logo em seguida, mas manteve a cabeça em pé e fez o segundo ainda no primeiro tempo.
Ruim: precisa falar?
Bom: mesmo jogando na casa do adversário e com um homem a menos, o time mandou no segundo tempo e obrigou a Portuguesa a jogar só nos contra-ataques. Melhor ainda, conseguiu criar umas duas ou três chances claras de gol.
Ruim: os contra-ataques da Portuguesa foram quase mortais, mas isso eu já falei. O ruim mesmo foi jogar com um homem a menos por nada. (Caro Kléber Leite, favor conferir o número de cromossomos do Tardelli. Grato)
Bom: o Caio Jr mostrou mais uma vez que está nessa para ganhar. Entrou com três atacantes e, mesmo com o jogo empatado e com um homem a menos, recusou-se a colocar mais um homem de marcação.
Ruim: já são três jogos sem vencer e, a essa altura, ou ele está arrependido de ter ficado no Flamengo ou já já vai ter um idiota reclamando no ouvido dele.
Bom: um pontinho fora de casa, derrota do Cruzeiro, derrota do São Paulo.
Ruim: Vitória venceu. Marquinhos, Cleiton Xavier e (talvez) Diogo são os nomes do campeonato até aqui.
Bom: não perdeu de novo.
Ruim: adivinha quem comprou o Ibson no Cartola?
Pedro

















Sport Recife é, com méritos, o campeão da Copa do Brasil 2008. Na campanha do título inédito, o Sport venceu 7 jogos, empatou 2 jogos e perdeu apenas 3; marcou 24 gols, sendo 19 deles na Ilha do Retiro, e sofreu 11 gols. Atuou como um autêntico time “copeiro”. Quando jogava na Ilha do Retiro, jogou sempre pela vitória, mas não contente em vencer, procurar vencer com uma boa margem de gols. Dessa forma, eliminou favoritos ao título como Palmeiras, Internacional, Vasco e, no jogo derradeiro, o Corinthians, que mesmo vencendo por 3 a 1 no jogo de ida, não suportou a pressão do Sport na Ilha do Retiro. Aliás, o Corinthians não soube administrar a vantagem que tinha no jogo de hoje e quando se viu em desvantagem, não soube buscar o resultado.
Caso o Deco não tivesse se naturalizado português, ele teria alguma chance na seleção brasileira?
Domingo será o dia dos torcedores rubro-negros reencontrarem o seu algoz. Dessa vez ele estará defendendo a seleção paraguaia, que é líder das eliminatórias da copa do mundo de 2010 e enfrentará a seleção do Dunga. Como em 2007, Cabañas é o atual artilheiro da Copa Libertadores com 8 gols, podendo ser ultrapassado pelo o Washington, que marcou 6 vezes. Confesso que, independente dos gols marcados no Maracanã no dia 07/05, é difícil não simpatizar com o Cabañas. O cara é o típico jogador folclórico, só que, além de ser folclórico, é um bom jogador. O cara prende bem a bola , sabe se posicionar na área, chuta bem de fora da área, é eficiente e tal. E será esse bom jogador que a seleção do Dunga encontrará. Uma seleção que conseguiu perder para a Venezuela. Tudo bem que era um amistoso, mas o adversário era a Venezuela. Já seria um vexame se a seleção do Dunga só ganhasse de 1 x 0, imagina o que representou essa derrota. O futebol deve ser o décimo oitavo esporte preferido dos venezuelanos, depois de buraco, damas e palavras cruzadas. Típica derrota inexplicável, como a do dia 07/05, mas que deve servir para alguma coisa. Agora, se ninguém aprendeu nada com essa derrota para a Venezuela, um certo Salvador Cabañas não se furtará em explicar novamente.





Desde sábado podemos acompanhar a Euro 2008. Das 16 seleções participantes, 12 já entraram em campo. As seleções do Grupo D, composto por Espanha, Rússia, Suécia e Grécia, ainda não estrearam. Mas de todos os jogos realizados até agora, só Itália x Holanda foi um ótimo jogo. Em grande parte, diga-se de passagem, a vocação ofensiva da seleção holandesa. A Itália, que é bastante conhecida por seu eficiente sistema defensivo, ao levar o primeiro gol, teve que partir pro ataque para tentar reverter o resultado, e isso tornou o jogo bastante disputado. Só que a Itália depende do Luca Toni para fazer gols, o que não é lá grande coisa para a seleção italiana. Ao partir pro ataque, a defesa italiana ficou muito vulnerável aos contra-ataques da seleção holandesa, que levavam muito perigo. Não fosse o Buffon um ótimo goleiro, talvez o placar fosse maior. Não que a Itália não levasse perigo, pois levou perigo sim a defesa holandesa, que não é nenhuma “brastemp”, mas Luca Toni contra Van der Sar é covardia. O placar do jogo pode não ter sido justo, já que o jogo foi equilibrado, mas mostrou que a equipe holandesa foi bem mais eficiente no ataque que a seleção italiana. E como já dizia aquele velho ditado futebolístico: “Quem não faz, leva”.








