osso futebol é recheado de boas histórias, grandes vitórias, lendas fantásticas, bravos guerreiros tingidos de ouro, viradas de mesa vergonhosas, cartolagem sem-noção que, é possível de forma bastante razoável traçarmos uma linha bem (i)lógica na formação e caracterização da cultura brasileira contemporânea.
Assistindo ontem aos jogos da Libertadores, pude me recordar da sensação bacana que é ver seu time disputar uma competição internacional desse porte - para nós, latino-americanos, é o creme dos cremes - em que times como Peñarol, Independiente e Olimpia já foram Golias sem Davi que os derrubasse. O jogo era entre tricolores, o que tornava a situação um pouco suspeita. Mas, para acabar com qualquer tipo de pulso mole, coisa bem típica de tricolor, Adriano “Imperador” meteu um gol que garantiu a vitória pro time dele em cima do Flu. Flamenguista, o matador trouxe à tona outra questão…
O verdadeiro clássico brasileiro, que passou a ser chamado de “mais charmoso” do Brasil - o que acho uma expressão de cunho jornalístico infeliz - é o Fla x Flu. Não tem pra ninguém: Corinthians x Palmeiras, clássico San-São (hah!), Galo x Raposa, Gre-Nal, enfim… Apesar de nos últimos dez anos o Fluminense ter passado pela pior fase de sua história ao cair sucessivamente para a 2ª e 3ª divisões do Campeonato Brasileiro, assim deixando de ser o maior rival do Flamengo (espaço que passou a ser ocupado pelo Vasco e mesmo pelo Botafogo, mais recentemente) em termos de decisões, a história do clássico fala por si mesma. O surgimento do futebol no Flamengo através de uma dissidência de ex-jogadores tricolores insatisfeitos com o Football Club é, para mim, um exemplo de regeneração e revolução. Esse fato em si, já sustenta rivalidade e discussões pra toda vida. Muitos tricolores dizem: “O que seria do Fla sem o Flu?” Bem, para essa pergunta complicadíssima, uma resposta simples: Seria, como ainda o é Clube de Regatas do Flamengo. Talvez o futebol chegasse ao clube por outro caminho, quem lá saberia?
Palavras de um torcedor.
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