melhor que o eto’o (e quem não é?)

O Fla x Vasco mais importante da vida deles

Julho 12, 2008 · Deixe um comentário

Quem lê este blog (e aliás, quem lê este blog?) com alguma freqüência já sacou que mais da metade dos autores – e principalmente os que postam mais freqüentemente – são flamenguistas. Por isso o “deles” do título. É o Flamengo x Vasco mais importante para eles, os vascaínos, os rivais, a turma da fuzarca, o time da virada, o Machão da Gama. Mas por que é o mais importante?

Pergunte a qualquer um dos nossos rubro-negros de plantão qual time de que mais tiveram ódio e satisfação de vencer. Qual time já comandou seu maior respeito e desrespeito. Qual time que eles mandavam “tomar no…” quando comemoravam qualquer título. Em qual torcida a Jovem Fla diz que vai “dar porrada” em suas canções. Qual dirigente que era xingado enquanto o Maracanã berrava Meeeeeeeeeeengooooooooooooooo.

De dois anos para cá, isso mudou. De repente, aquele seu amigo vascaíno que te desafiava, que achava o Fábio o melhor goleiro do Brasil e que o Morais era o futuro da Seleção Brasileira, que sabia que o Vasco sempre brigava pelas primeiras posições, que reclamava que o esquema pró-Flamengo era a única coisa que o impedia de ter ainda mais títulos, calou-se. O peso de quatro finais de Estadual perdidas em seqüência, somada a uma decisão de Copa do Brasil, foi uma humilhação que machucou fundo na alma. Os cruzmaltinos caíram em desilusão. Não que eles tenham perdido a crença no time, a coragem de dar a cara à tapa, sua atitude de acreditar que a virada é sempre possível. Simplesmente diminuíram o volume, aquela chama diminuiu um pouco, e a realidade bateu: tem alguma coisa errada.

Do lado rubro-negro, eu tive uma revelação quando ouvi torcedores mais novos do meu time, gente que se envolveu mais recentemente com o futebol, reclamando de botafoguenses, tricolores, corintianos, são-paulinos… mas desprezando: “Vascaínos? Ah, eu não tenho problemas com eles não…” “Pra mim não fede nem cheira, eu gosto do Vasco…” “Vasco, ah, eles não fazem mal a ninguém, tenho pena deles…

Como é que é??? Pena??? Do Vasco????? Vocês não gostam do Botafogo, não gostam do Fluminense, mas não têm problemas com o Vasco???? Como assim??? Que flamenguistas são vocês??? É o Vasco!!! O Asco!!! O Vascu!! O time que me fez chorar em 88, em 93, em 97!!!

Mas infelizmente (para eles), hoje é o Vice da Gama. A fama de freguês esfriou a rivalidade e gerou uma máxima entre os torcedores do Fla: “Se o jogo é de decisão, é nosso“. Nos últimos anos, era assim que eu encarava qualquer clássico contra o Vasco, e a regra quase sempre seguia assim: se ambos os times estavam em momentos medianos do Campeonato Brasileiro de pontos corridos, o Vasco saía vitorioso. Fazia 3 a 0, 3 a 1, 4 a 1, e se esbaldava. Porém, se fosse um jogo decisivo – final ou semifinal de Carioca, Flamengo em situação de rebaixamento – a vitória vinha para a Gávea. No ano passado, porém, os rubro-negros ganharam dos cruzmaltinos por 2 a 1, no meio do segundo turno, para ganhar fôlego rumo ao terceiro lugar, e alguns vascaínos reconheceram: “agora até em jogo que não vale nada, a gente perde”.

Este domingo, entretanto, é diferente. Não é uma simples partida de Brasileiro. O Flamengo é líder e a torcida estendeu uma faixa na arquibancada exigindo o título. Cada partida virou, como os locutores insistem em nos empurrar, “uma decisão”. Para piorar, a vitória se tornou quase uma obrigação após a “Suruba dos Urubas”; virou questão de honra provar que o time mantém o foco mesmo com todas as distrações.

Do outro lado, São Januário vive o início de uma nova era. Otimismo de todos os lados depois de se livrar do ex-Messias-tornado-Judas, o Getúlio Vargas da Colina, Eurico Miranda, cuja era marcou o acirramento da rivalidade, que tomou uma vida maior que o clube. Vencer o Flamengo virou o único propósito, o resto dos campeonatos era mero detalhe. O Vasco deixou de ser Vasco e Eurico deixou de ser Eurico, menos preocupado em montar timaços como Romário-Roberto-Geovani-Bismark, Bebeto-Edmundo-Bismark-Roberto, Edmundo-Evair-Juninho-Felipe, Donizete-Luizão-Juninho-Pedrinho-Felipe, Romário-Edmundo-Juninho-Juninho, mais preocupado em badernar, fazer confusão, exibir poder.

Vencer no domingo não encerra de vez a provocação dos flamenguistas nem recupera cinco finais perdidas seguidas. Mas dá ao Vasco sua primeira seqüência de vitórias no Brasileiro, sua primeira série de triunfos na gestão do presidente-ídolo Roberto Dinamite, sua primeira “virada” no ano, uma volta à zona de competidores pelo título. Pode ser o início de uma nova era, em que Flamengo e Vasco continuam se odiando, e muito, mas que se respeitam de novo e sabem que, para que haja um, é preciso o outro – as quedas de Fluminense e Botafogo, que por um lado ajudaram a intensificar a rivalidade entre rubro-negros e vascaínos, por outro foi prejudicial para ambos em termos de exposição e rentabilidade.

Mais do que tudo, faz o Vasco voltar a ser Vasco: o time que todo rubro-negro detesta enfrentar e deseja derrotar.

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IMPORTANT UPDATE: Ou não.

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