O Fluminense ameaçou amarelar, depois lembrou que isso é coisa do Botafogo e sapecou 3 a 1 no Boca. Acabou sendo justo.
O Boca tem um baita time para os padrões sul-americanos: poucos chutões para o alto, toque de bola melhor do que qualquer brasileiro (e ontem, com o campo enorme do Maracanã, eles acertaram uns passes que deram aperto no coração), três jogadores acima da média (apesar de o Riquelme ter sumido no segundo tempo e o Palácio nem ter aparecido para jogar) etc etc. Estaria entre os favoritíssimos caso disputasse o Brasileirão.
Só que deu Fluminense. E não adianta reclamar que foi sorte, que o Fernando Henrique agarrou como um pai de santo nos dois jogos. (Até onde eu sei, goleiro faz parte do time, ué) Também não adianta falar que o Boca dominou a posse de bola e criou muito mais chances. (Esse jogo redimiu o chavão-mor de que quem não faz, toma). É verdade que o Thiago Neves sumiu de novo, que o Conca fez um gol mandrake em uma jogada em que ele tinha feito tudo errado… Até pode-se dizer que aquele gol de falta do Washington foi um prenúncio do apocalipse. Mas o fato é que, depois do empate, o Boca se mandou para o ataque como se não houvesse amanhã e, a partir daí, quem mais criou oportunidades foi o Fluminense. Foram pelo menos uns 5 contra ataques com chance clara e até bola na trave. Só o Dodô perdeu uns dois gols moles moles. Mas ele é o único que não dá para culpar: sofreu a falta do primeiro gol, deu o passe do segundo e fez aquela belezura no terceiro. Mudou o jogo. Fora o drible 360 a la Winning Eleven que ele deu. Homem do jogo…
Ok, talvez não seja o homem do jogo. Isso porque o momento crucial foi o gol do Washington. O infeliz vinha jogando muito mal – tropeçando na bola, incapaz de dar um drible, caindo para cavar falta etc etc. Mas fez aquele gol e obrigou todo mundo a concordar que ele é iluminado. Eu ainda não sei se ele é um dos piores super artilheiros do Brasil ou um dos melhores pernas de pau.
O que eu sei é que ele faz parte de uma linhagem clássica do futebol brasileiro, que vem desde o Fio Maravilha nos anos 70 e que, nos últimos 15 anos, gerou pérolas como Túlio, Jardel, Oséas, Tuta e, mais recentemente, o imaculável Obina. Um cara desses vale ouro.
No fim, foi um baita jogo e o Fluminense mereceu a vitória. Nessas horas, quando a disputa é tão acirrada, vale mais a pena acreditar no placar final e pensar que, não importa o que, ganhou quem soube aproveitar melhor os detalhes e as pequenas oportunidades.
Pena que isso tudo foi só para perder da LDU no final.
Pedro