melhor que o eto’o (e quem não é?)

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tem alguém aí?

Agosto 2, 2008 · Deixe um comentário

Se tiver, então me digam se o craque desse quase-primeiro turno de campeonato não é o Marquinhos, do Vitória?

O cabra é bom. Magrinho demais para ir para a Europa, mas habilidoso na medida certa – não tropeça na bola mas também não quer entrar para o circo -, rápido e, principalmente, muito eficiente e preciso no chute. Sem medo de chamar o jogo para si, ele aparece toda hora no ataque baiano. É um ótimo meia ofensivo.

Se o Flamengo não estivesse afundando como o PSDB em época de eleição, o Juan também seria forte candidato. De todo modo, ele continua sendo o melhor lateral esquerdo do Brasil. E mais: ele tem até melhorado na defesa, que era seu ponto fraco. Quem joga o Cartola já sabe que nesse campeonato ele tem mostrado uma vocação até então insuspeita para roubar bolas. Fora que, no ataque, ele é a melhor opção do Flamengo. É rápido, dribla bem, não tem medo de arriscar, mas também não é fominha. Sem ele o time é mais ou menos como o Buchecha sem o Claudinho.

Pedro

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estou bobo

Julho 24, 2008 · Deixe um comentário

Quase não dá para ficar chateado com o empate do Flamengo com a Portuguesa. Mentira, dá sim. Que amarelada. Mas, por outro lado, foi o melhor jogo desde… Flamengo e Atlético Mineiro. Foi infinitamente bom de ver e infinitamente angustiante torcer.

Se fosse Pororoca do Norte e Pituca FC eu estaria sorrindo de uma orelha à outra. Gol de mão, pênalti que o juiz manda voltar, expulsão marota, umas duas ou três grandes defesas de cada lado, dribles fantásticos do Ibson e do Diogo dentro da área do adversário… e amarelada no final. A jogada foi emblemática do Flamengo – Juan, o melhor e mais taticamente indisciplinado jogador do Brasil (e isso não é uma crítica, pelo menos não aqui), pega a bola na ponta direita, parte para dentro e sofre o pênalti. Ibson, um dos volantes mais habilidosos e eficientes, vai lá e converte. Mais ou menos assim.

É claro que tudo isso poderia ter sido evitado se o Jaílton não tivesse voltado a ser o Jaílton e cometido um pênalti mongolóide. Ou se o acarajé mágico do Obina, o Obama brasileiro, não tivesse acabado – eu juro que quando ele entrou eu pensei que esse era o típico jogo em que o infeliz marca gol. Não marca. Não mais. Fez menos do que o Souza, que cada vez mais me convence de que ele é um Toró no corpo de um Shaquille O’Neal; tem alguma habilidade fora da área, protege bem a bola, mas volta e meia prende e muito e é pura ineficiência na frente do gol.

E o tal do Diogo, hein? Ele e o Juan foram os melhores em campo. Ao contrário do Ibson, o sangue frio falou mais alto e ele fez o pênalti que o juiz mandou voltar. Foi um perigo constante, se movimentando o tempo todo, com habilidade para prender a bola no pé e tamanho para aguentar os trancos da zaga. Jogou quase sozinho e segurou a onda, incomodou o tempo todo. Não tinha uma bola no ataque da Portuguesa em que ele não estivesse na jogada.

Com o Juan..bem, foi o de sempre. Passou bem, mostrou visão de jogo, criou chances, roubou umas bolas. E não foi o suficiente. Não vou dizer que agora é puro sinal vermelho no Flamengo, porque na pior das hipóteses o time termina a rodada em segundo. Mas é preciso contratar pelo menos mais um homem de frente. Talvez o Éder ainda engrene, mas não é suficiente. E, mais uma vez, ficou claro que não dá para confiar no Tardelli, que, de resto, até correu bastante.

(O Tardelli é o anti-Marcinho. A gente vê ele correndo muito, tentando muita coisa, fazendo umas jogadas doidas de bonitas, mas, no fim das contas, a câmera sempre corta para aquela expressão de “ai, meus sais, foi quase” dele no fim do lance.)

Que frustração. Para cada coisa boa do jogo de hoje há uma ruim.

Bom: o Flamengo jogou melhor do que no domingo, tocou mais a bola, parecia mais ligado no jogo.
Ruim: além de dois pênaltis muito bobos, a Portuguesa chegou cara a cara várias vezes. E naquele drible do Diogo quase deu vontade de torcer para ele marcar.

Bom: Léo Moura atacou bem mais, principalmente no primeiro tempo, e, com a volta do Juan, o Flamengo conseguiu esgarçar a defesa da Portuguesa e criar espaço em campo.
Ruim: o espaço extra adiantou muito pouco porque metade das vezes o time tentava começar a jogada pelos pés do Cristian.

Bom: o time conseguiu sair na frente, levou o empate logo em seguida, mas manteve a cabeça em pé e fez o segundo ainda no primeiro tempo.
Ruim: precisa falar?

Bom: mesmo jogando na casa do adversário e com um homem a menos, o time mandou no segundo tempo e obrigou a Portuguesa a jogar só nos contra-ataques. Melhor ainda, conseguiu criar umas duas ou três chances claras de gol.
Ruim: os contra-ataques da Portuguesa foram quase mortais, mas isso eu já falei. O ruim mesmo foi jogar com um homem a menos por nada. (Caro Kléber Leite, favor conferir o número de cromossomos do Tardelli. Grato)

Bom: o Caio Jr mostrou mais uma vez que está nessa para ganhar. Entrou com três atacantes e, mesmo com o jogo empatado e com um homem a menos, recusou-se a colocar mais um homem de marcação.
Ruim: já são três jogos sem vencer e, a essa altura, ou ele está arrependido de ter ficado no Flamengo ou já já vai ter um idiota reclamando no ouvido dele.

Bom: um pontinho fora de casa, derrota do Cruzeiro, derrota do São Paulo.
Ruim: Vitória venceu. Marquinhos, Cleiton Xavier e (talvez) Diogo são os nomes do campeonato até aqui.

Bom: não perdeu de novo.
Ruim: adivinha quem comprou o Ibson no Cartola?

 

Pedro

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O Fla x Vasco mais importante da vida deles

Julho 12, 2008 · Deixe um comentário

Quem lê este blog (e aliás, quem lê este blog?) com alguma freqüência já sacou que mais da metade dos autores – e principalmente os que postam mais freqüentemente – são flamenguistas. Por isso o “deles” do título. É o Flamengo x Vasco mais importante para eles, os vascaínos, os rivais, a turma da fuzarca, o time da virada, o Machão da Gama. Mas por que é o mais importante?

Pergunte a qualquer um dos nossos rubro-negros de plantão qual time de que mais tiveram ódio e satisfação de vencer. Qual time já comandou seu maior respeito e desrespeito. Qual time que eles mandavam “tomar no…” quando comemoravam qualquer título. Em qual torcida a Jovem Fla diz que vai “dar porrada” em suas canções. Qual dirigente que era xingado enquanto o Maracanã berrava Meeeeeeeeeeengooooooooooooooo.

De dois anos para cá, isso mudou. De repente, aquele seu amigo vascaíno que te desafiava, que achava o Fábio o melhor goleiro do Brasil e que o Morais era o futuro da Seleção Brasileira, que sabia que o Vasco sempre brigava pelas primeiras posições, que reclamava que o esquema pró-Flamengo era a única coisa que o impedia de ter ainda mais títulos, calou-se. O peso de quatro finais de Estadual perdidas em seqüência, somada a uma decisão de Copa do Brasil, foi uma humilhação que machucou fundo na alma. Os cruzmaltinos caíram em desilusão. Não que eles tenham perdido a crença no time, a coragem de dar a cara à tapa, sua atitude de acreditar que a virada é sempre possível. Simplesmente diminuíram o volume, aquela chama diminuiu um pouco, e a realidade bateu: tem alguma coisa errada.

Do lado rubro-negro, eu tive uma revelação quando ouvi torcedores mais novos do meu time, gente que se envolveu mais recentemente com o futebol, reclamando de botafoguenses, tricolores, corintianos, são-paulinos… mas desprezando: “Vascaínos? Ah, eu não tenho problemas com eles não…” “Pra mim não fede nem cheira, eu gosto do Vasco…” “Vasco, ah, eles não fazem mal a ninguém, tenho pena deles…

Como é que é??? Pena??? Do Vasco????? Vocês não gostam do Botafogo, não gostam do Fluminense, mas não têm problemas com o Vasco???? Como assim??? Que flamenguistas são vocês??? É o Vasco!!! O Asco!!! O Vascu!! O time que me fez chorar em 88, em 93, em 97!!!

Mas infelizmente (para eles), hoje é o Vice da Gama. A fama de freguês esfriou a rivalidade e gerou uma máxima entre os torcedores do Fla: “Se o jogo é de decisão, é nosso“. Nos últimos anos, era assim que eu encarava qualquer clássico contra o Vasco, e a regra quase sempre seguia assim: se ambos os times estavam em momentos medianos do Campeonato Brasileiro de pontos corridos, o Vasco saía vitorioso. Fazia 3 a 0, 3 a 1, 4 a 1, e se esbaldava. Porém, se fosse um jogo decisivo – final ou semifinal de Carioca, Flamengo em situação de rebaixamento – a vitória vinha para a Gávea. No ano passado, porém, os rubro-negros ganharam dos cruzmaltinos por 2 a 1, no meio do segundo turno, para ganhar fôlego rumo ao terceiro lugar, e alguns vascaínos reconheceram: “agora até em jogo que não vale nada, a gente perde”.

Este domingo, entretanto, é diferente. Não é uma simples partida de Brasileiro. O Flamengo é líder e a torcida estendeu uma faixa na arquibancada exigindo o título. Cada partida virou, como os locutores insistem em nos empurrar, “uma decisão”. Para piorar, a vitória se tornou quase uma obrigação após a “Suruba dos Urubas”; virou questão de honra provar que o time mantém o foco mesmo com todas as distrações.

Do outro lado, São Januário vive o início de uma nova era. Otimismo de todos os lados depois de se livrar do ex-Messias-tornado-Judas, o Getúlio Vargas da Colina, Eurico Miranda, cuja era marcou o acirramento da rivalidade, que tomou uma vida maior que o clube. Vencer o Flamengo virou o único propósito, o resto dos campeonatos era mero detalhe. O Vasco deixou de ser Vasco e Eurico deixou de ser Eurico, menos preocupado em montar timaços como Romário-Roberto-Geovani-Bismark, Bebeto-Edmundo-Bismark-Roberto, Edmundo-Evair-Juninho-Felipe, Donizete-Luizão-Juninho-Pedrinho-Felipe, Romário-Edmundo-Juninho-Juninho, mais preocupado em badernar, fazer confusão, exibir poder.

Vencer no domingo não encerra de vez a provocação dos flamenguistas nem recupera cinco finais perdidas seguidas. Mas dá ao Vasco sua primeira seqüência de vitórias no Brasileiro, sua primeira série de triunfos na gestão do presidente-ídolo Roberto Dinamite, sua primeira “virada” no ano, uma volta à zona de competidores pelo título. Pode ser o início de uma nova era, em que Flamengo e Vasco continuam se odiando, e muito, mas que se respeitam de novo e sabem que, para que haja um, é preciso o outro – as quedas de Fluminense e Botafogo, que por um lado ajudaram a intensificar a rivalidade entre rubro-negros e vascaínos, por outro foi prejudicial para ambos em termos de exposição e rentabilidade.

Mais do que tudo, faz o Vasco voltar a ser Vasco: o time que todo rubro-negro detesta enfrentar e deseja derrotar.

Ad C

IMPORTANT UPDATE: Ou não.

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Foi só falar…

Julho 11, 2008 · Deixe um comentário

…que o Flamengo quase tomou um sabão do Atlético e ainda vem esse “escandâlo” das prostitutas do Marcinho e tudo mais. Uma hora tudo ia pro brejo mesmo. A história ainda está super mal contada e não é nada que a gente imagine que não acontece, mas, sabe como é, já vem o Tardelli e o Bruno dizendo que levaram bico das patroas etc etc. Isso não pode dar certo para o “espírito de grupo”.

A sorte é que todos os outros rivais empataram. E o São Paulo ainda perdeu. Só o Vitória ganhou, e muito bem: os baianos chamaram o Botafogo p’ra dançar e ficaram tirando casquinha a noite toda. Só vi o primeiro tempo, que foi muito bom: o Vitória entrou destrambelhado desde o início, passando a bola rápido, o tal do Marquinhos caindo pelos dois lados e infernizando a zaga e que-tais. Segue a torcida pelo rebaixamento do Botafogo. Seria a prova definitiva de que não dá para enganar todo mundo o tempo todo.

Em Belo Horizonte, o Flamengo ficou muito acomodado depois do gol. Quer dizer, talvez seja mais justo dizer que o time se deixou acomodar [sic]. Uma das coisas legais do futebol é o quanto cada partida tem sua dinâmica própria, como inspira toda uma psicologia e mecanismos meio instintivos de ação-reação. Nesse caso, os dois times acabaram fazendo um jogo super aberto e com muitos erros e incontáveis chances de gol; na hora das finalizações deu para ver o quanto os mineiros eram ruins, mas entre roubadas de bola e jogadas armadas, o Atlético deu um show e teve todo o controle emocional da partida. Faz parte. Jogar lá não é fácil.

Dos jogos da quinta..bom, não houve nada parecido e tudo foi meio entediante, então a boa foi mudar de canal a cada vinte minutos. Palmeiras e Figueirense deram a melhor partida. Esse Cleiton Xavier é invejável – perdeu uma ótima chance no primeiro tempo, mas fez um gol bem bonito no segundo. E, acima de tudo, é um cara que não tem medo de chutar. Isso vale muito.

O que faltou para o Figueirense foi força mental. É muito difícil fazer 1 a 0 fora de casa e não acreditar que a vaca uma hora vai para o brejo; nisso, o time recuou e quase obrigou o Palmeiras a pressionar loucamente. Foi o que eles precisavam – sem conseguir furar a zaga adversária, dava para ver até então no estilão palmeirense um medo desgraçado de empatar ou perder. O recuo do Figueirense acabou servindo para lembrar que eles estavam jogando em casa e que são eles um dos favoritos ao título. Nisso a turba foi só pressão e o Alex Mineiro, um jogador que até hoje eu não sei se presta ou não*, foi oportunista. No fim, dava até para ter vencido, mas o goleiro do Figueirense fez umas defesas de melar a cueca e o jogo terminou 1 a 1. Bom para o Flamengo.

* meu problema com o Alex Mineiro é simples: eu não acredito em goleadores que não moldam minimamente a personalidade do time. Até o Jardel fazia isso: em cinco minutos já dava para ver que ele era a referência ofensiva do Grêmio, que a mentalidade do time era maximizar o número de chances do cabra e que ainda faziam isso no estilo mais apropriado para ele (bolas aéreas). No Palmeiras não há nada disso; o Alex Mineiro não parece ter qualquer influência maior no estilo do time, chegando até a ter que sair da área para pegar na bola. Ele não é nem o cabeceador, nem o pivô, nem o atacante rápido, nem o cara da tabela, nem nada.

Pedro

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vai dar merda?

Julho 8, 2008 · 1 Comentário

Da série “tudo o que eu sei sobre futebol eu aprendi no Winning Eleven”: time que faz 2 x 0 antes de vinte minutos de jogo e consegue segurar mais uns minutos sem tomar gol já pode estender a canga, abrir uma coca cola e ler o jornal, porque a parada está no papo. Foi mais ou menos isso que o Flamengo fez contra o Náutico sábado e ainda sapecou um terceiro gol que é p’ra deixar o povo esperto. Até o Jaílton jogou razoavelmente bem.

Só que isso dá medo, muito medo. Cinco pontos de vantagem, Juan competindo pelo título de melhor brasileiro em atividade no país, Kleberson mostrando que ele também pode defecar no Fabregas… Estranho, muito estranho. Já desperta logo a sensação de vai-dar-merda.

O Flamengo que eu lembro é aquele time que suou muito para se classificar para a fase final no Brasileirão de 92, é o time do gol espírita do Petkovic aos quarenta-e-tantos do segundo tempo no tri estadual contra o Vasco, é o time do pênalti bizarro do Cássio contra o Fluminense na final da Taça Guanabara de 2001 e por aí vai.

Ou seja: medo, muito medo. Medo de que o Juan vá embora. Medo de um ataque que é Souza e Obina. Medo de que o Ibson vá parar no São Paulo. Medo de que o Luís Salém peça os óculos dele de volta para o Caio Jr. Medo de quando o Ronaldo Angelim decide que é ponta esquerda e se manda para o ataque. Medo de que o  Diego Tardelli lembre quem ele é e comece a criar confusão. Enfim, medo.

Pedro

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campeonato brasileiro balança, mas não cai

Junho 15, 2008 · 2 Comentários

Só a cara de bobo do Dunga – you’ve got Cabañas’d! – salvou o futebol. O Brasileirão está cada vez mais sonolento. Nem o gol de bicicleta do Náutico contra o Vasco justificou esse fim de semana. A empolgação pelo início do campeonato já arrefeceu e agora só sobrou a dura realidade de que ainda faltam umas cinqüenta e oito rodadas para acabar esse Lulão 2008. E a derrota do Flamengo também não ajudou em nada a melhorar o astral por aqui.

O mitológico Ucrânia e Suíça na Copa de 2006 continua dominando o hit parade dos piores jogos do mundo, mas é preciso salientar que Vasco e Náutico deram um passo decisivo no ranking dos piores jogos com gol – e que gol! – do mundo.

E isso porque Botafogo e Inter foi aquela coisa, né: o time do Botafogo não vale três coca-colas, o Inter resolveu a coisa em menos de 20 minutos e o resto foi só mortadela velha. Querida, FIFA, eis minha sugestão: 2 a 0 antes dos 20 minutos do primeiro tempo elimina, a não ser que o time perdedor assine contrato prometendo a) dar sangue, suor e lágrimas para conseguir uma virada histórica ou b) dar botinadas e caneladas bacanas o suficiente para transformar o jogo em uma batalha campal. No caso de fracasso, perde o mando de campo por três rodadas.

Talvez isso tudo seja só ressaca do Holanda e França, que foi supimpa. Até meu pai gostou. O ruim é que a Holanda é tipo a Argentina européia e vai amarelar na fase eliminatória, provavelmente diante de uma Rússia da vida. Prevejo um final tenebroso de Eurocopa, com Alemanha e Suécia dando três chutes a gol ao longo de 120 minutos e o Ibrahimovic perdendo o pênalti decisivo com uma furada espetacular.

E o Brasil? Bom, só mais quatro dias para o Dunga deixar de ser o técnico. Não há nada melhor para a nossa seleção do que olhar o fracasso nos olhos. Só assim o Ricardo Teixeira vai colocar o rabo entre as pernas, achar alguém mais sério e interromper o balcão de negócios da CBF.

O mais gozado do jogo hoje nem foi a derrota. O Paraguai jogou muito melhor, fez dois gols e meteu duas bolas na trave. O mais gozado foi o Galvão ficar anunciando que o problema todo foi “só” o primeiro tempo, por causa dos oitenta volantes etc. Dá um tempo. O Brasil criou pouquíssimo perigo no segundo tempo. Só o Anderson – o homem que defeca em Fabregas - deu uns dois chutes perigosos. O resto foi aquela enrolação modorrenta de cruzamentos ruins, passes sem rumo e falta de vergonha na cara.

Pedro

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rapidinho

Junho 2, 2008 · Deixe um comentário

O blog do Paulinho e do Vitor Birner, os dois com link ali do lado, são legais. Só que tem hora que a coisa vira futebol-para-executivos demais. Parece coluna do Calazans. Qualquer falta é um absurdo; jogador tem que entrar em campo com certificado de bons antecedentes e pedir a benção do adversário. Chato.

É por que o melhor comentário sobre a expulsão do espírito André Luís e o BAFAFÁ que agitou os Aflitos foi o do Impedimento. Leiam lá.

Pedro

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fome de gols

Junho 2, 2008 · 1 Comentário

o telmo zanini ficou espantado hoje ao constatar que nessa última rodada do Brasileirão, só foram marcados 16 gols, dois a menos que a pior rodada do ano passado

deve ser porque este ano não tem Corinthians nem América de Natal pra tomar gol de todo mundo

Ad C

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só faltam 35 rodadas

Maio 24, 2008 · Deixe um comentário

Companheiro Caio Junior, meus parabéns. Se hoje tiver sido o fim da Era Jaílton no Flamengo, você merece uma estátua. Sério.

Qual o cabimento de escalar Cristian, Jaílton e Toró e ainda tomar um gol como o do Nilmar? Passe bonito do Alex, os dois zagueiros mal colocados, os cabeças de área longe da jogada, toque com categoria do Nilmar.

A entrada do Jônatas, que, aliás, nem é essa brastemp toda, no lugar do Jaílton fez o time mudar da água para o vinho. Tudo bem que o primeiro gol foi meio mandrake (como é oportunista o Marcinho, que beleza), mas o time melhorou muito mesmo. O segundo foi uma belezura – time apertou a defesa, goleirão deu um bico para frente, o Inter tenta armar uma jogada, Toró rouba a bola, Cristian lança bonito (!) para o Tardelli, que finalmente acerta uma jogada, dribla o goleiro, sofre pênalti mas o Souza bota no gol.

Valeu. Foi difícil, o Inter dominou o primeiro tempo, o Léo Moura salvou uma bola milagrosa, mas pelo menos agora fica provado que com o Jaílton não dá. Marcador por marcador, o Cristian é melhor e sabe tocar a bola. E o Toró – que jogou muito bem, roubando várias bolas – tem mais raça. E o Jônatas arma melhor.

O Caior Junior já começou ousando hoje: escalou Marcinho, Souza e Tardelli. Tomara que vá adiante no próximo domingo: contra (provavelmente) os reservas do Fluminense, não há motivo para manter os três cabeças de área. Podia lançar o Jônatas de cara, caso o Ibson ainda não possa jogar, e mandar o Jaílton para o Curupira FC. E insistir com Marcinho, Souza e Tardelli na frente. Talvez funcione. É só manter o Souza mais na área – ele tem caído muito pela esquerda. Deixa o homem lá dentro, pede para o Tardelli e o Marcinho caírem pelos lados para jogar com Juan e Léo Moura, bota o Jônatas plantado no círculo central dando início às jogadas e pede para o Toró continuar correndo igual a um demônio. Talvez funcione. Mas o importante aqui é: Jaílton não!

(Ah, sim: pelamordedeus, seu Caio Junior, dá um jeito de acabar com essa “jogada” do Angelim, que volta e meia acha que é ponta esquerda e se pirulita para o ataque. Nunca dá certo e ainda deixa um buracão lá atrás)

Quanto ao Inter: urucubaca à parte – e mau-caratismo também, pelo menos se for verdade que ele compactuou com as maracutaias do Corinthians para “roubar” ele do Lyon – o Nilmar é, para o padrão brasileiro, um bom jogador. Acho que o Inter tem tudo para brigar pelo título ou pelo menos pela Libertadores esse ano, ainda mais considerando que o time jogou com um trilhão de desfalques. Fora que o Abelão merece a simpatia eterna de todo mundo. Em suma, não vejo como alguém pode achar que São Paulo, Santos ou Cruzeiro têm mais respaldo para brigar pelo título do que os colorados.

Pedro

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ai meu caio junior

Maio 18, 2008 · 2 Comentários

Que joguinho chinfrim o do Flamengo. O time parecia ter entrado bem, mas acabou levando um tremendo sufoco do Grêmio. Merecia perder. O zeroazero caiu do céu. Foram duas bolas na trave e algumas defesas muito boas do Bruno (até que enfim ele começou a se reabilitar…). O time não produziu nada; o melhor momento foi a furada do Marcinho dentro da grande área.

De certa forma, tudo bem. Empate fora de casa é lucro, ainda mais contra times grandes. Fiquei muito bem impressionado pelo Grêmio, aliás. Muito vigor, muita força: acho que o Flamengo não levou a melhor em nenhuma trombada. O Juan começou várias boas jogadas, mas sempre perdia na força física. E o Grêmio lá: pessoal forte, correndo para burro, fazendo a maior marcação intensa e ainda conseguindo criar jogadas. Nunca tinha visto o tal do Perea jogar… ele se encaixaria bem no Flamengo: tem a força e o físico do Souza e a movimentação do Marcinho. Até o Roger apareceu..não fez nada excepcional, mas incomodou e deu trabalho para o Toró, que, por sinal, foi um leão na marcação.

O Flamengo sofreu muito com a pegada gaúcha. É o velho clichê dos times do sul, mas no caso até valeu. E o Souza acabou fazendo falta. Várias jogadas morreram porque não tinha ninguém na área para tentar qualquer coisa. Aí o pessoal prendia a bola, ia pra lá e pra cá e nada. Com Marcinho e Tardelli abertos pelas pontas, ficou só um buracão no meio à espera de alguém para incomodar a defesa.

E o Kléberson, hein? Que decepção. Ele tem sido uma nulidade completa. E desde que entrou o Ibson não vem jogando mais nada. Muito estranho. A impressão é que os dois ficam disputando o mesmo espaço e esquecem do resto.

Mas o que incomodou mesmo foi a falta de alguém com espírito de decisão, com chegada. Alguém tipo o Cabañas.

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a dureza que é o campeonato brasileiro #1

Maio 14, 2008 · Deixe um comentário

Estavam faltando números, gráficos e tabelas por aqui. Não mais. Olha só que bonitinho: estava me perguntando até que ponto é possível falar que o Brasileirão é mais competitivo que os outros campeonatos. A idéia inicial era calcular o índice de Gini para cada um dos grandes campeonatos do mundo, mas isso dá muito trabalho e eu vou deixar para depois.

O que eu fiz foi uma coisa mais tosca, só um gráfico que mostra, no eixo Y, o número de times campeões e, no eixo X, o número de times diferentes que chegaram entre os 4 primeiros nos respectivos campeonatos nacionais. Quatro é um número um pouco aleatório, mas só um pouquinho: lá fora como cá são os 4 primeiros que costumam se classificar para as competições internacionais mais prestigiosas*. Escolhi os campeonatos mais famosos – só depois lembrei que Portugal existia, mas aí já era tarde e Inês estava morta.

É bom lembrar que no Brasileirão a disputa por pontos corridos rolou justamente nos últimos 5 anos. Ah, sim, e quanto ao campeonato argentino: como lá eles disputam o Clausura e o Apertura, sendo cada um de turno único e por pontos corridos, eu me permiti o cambalacho de fazer os cálculos com base na soma dos pontos dos dois torneios. O inconvenient disso é que, como ainda faltam muitas rodadas para acabar o Clausura 2008, os dados da temporada atual são referentes apenas ao Apertura. Os campeonatos europeus já estão bem nas últimas rodadas, então simplesmente tomei a classificação atual como um dado.

Se compararmos os números dos últimos 5, 10 e 15 anos, fica nítido como o Brasileirão não só teve mais times campeões como também uma diversidade muito maior de times entre os 4 primeiros. Os campeonatos europeus são ridiculamente mais concentrados do que aqui; nos últimos 5 anos, só os argentinos apresentaram variedade similar à nossa – e isso se deve em boa parte ao fato de que eu só computei os resultados do Apertura 2008, e não do Clausura.

[O Apertura 2008 teve uma classificação final bem...anômala, já que não só o Lanús ganhou (seu primeiro título desde o início dos anos 90) como também o segundo colocado foi o modesto Tigres]

A Espanha é um caso engraçado: um número razoável de times diferentes chegou entre os quatro primeiros nas últimas temporadas, mas Real e Barcelona ganharam, juntos, 11 dos últimos 15 campeonatos. Já a Inglaterra tem o campeonato mais previsível: nos últimos 10 anos só 3 times foram campeões. Nos últimos 5 anos míseros 5 times diferentes chegaram entre os quatro primeiros, isso graças a um 4o lugar do Everton em 2004-05. Se não fosse por isso, teríamos os mesmos quatro times entre os quatro primeiros nos últimos cinco anos.

De todo modo, a introdução dos pontos corridos parece ter contribuído para que o Brasileirão se aproximasse um pouco mais da média. Tirando a França – onde o Lyon ganhou os últimos 7 – é no Brasil que temos a maior distância entre os ponto dos últimos 5 e 10 anos. Só que mesmo assim a variedade de campeões e de líderes aqui ainda é bem maior do que alhures…

Olha que coisa bonita (cliquem para ver a imagem no tamanho certo):

campeões x times entre os quatro primeiros, últimos 15 anos

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e o corinthians?

Maio 12, 2008 · 2 Comentários

Bom, o Corinthians que se cuide. Tem tudo para ganhar a Série B, só que o time não é lá essas coisas. Eu vi um pedaço do jogo contra o São Caetano pela Copa do Brasil e mais uma vez ficou claro que ali só se salvam o Dentinho e talvez o tal do Lulinha. Mas simpatizei com o Herrera; é desses centroavantes batalhadores que nunca dão conta do recado no longo prazo mas acabam ganhando a simpatia da torcida no curto prazo.

O Corinthians tem que aproveitar esse ímpeto solidário da torcida. Porque se não conseguir voltar para a Série A no ano que vem, aí o que era amor vai virar cobrança. Ou, pior ainda, o povo acostuma com a segundona. Tem muito time grande por aí que começou a ficar decadente assim: cai para a segundona, ganha o apoio da torcida, mas fracassa, aí o povo desanima… Acho até que teria sido o destino do Fluminense se não fosse pela fatídica virada de mesa.

Pedro

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pontos corridos…

Maio 11, 2008 · Deixe um comentário

O Brasileirão começou ontem, não é? Vamos ver. Espero mais um fracasso ridículo do Flamengo hoje, mas pode acabar dando certo. Essa discussão mata-mata vs pontos corridos é chatíssima e eu ainda estou muito em cima do muro para opinar, mas acho que, no geral, a coisa parece estar fluindo bem. Só observo o seguinte:

  • Já falei isso, mas: o fato de os times classificados para a Libertadores não disputarem a Copa do Brasil é ridículo. Acaba enfraquecendo desnecessariamente esta última, que tinha tudo para se tornar o grande torneio mata-mata do país e, assim, diminuir a tristeza dos que têm fetiche por finais, semi-finais etc.
  • A falta de tradição da Copa Sul-Americana é um problemão. Só no ano passado começamos a ter um mínimo de empolgação por parte dos classificados. Nas Europas, a classificação para a Copa da UEFA é uma benção disputadíssima, principalmente pelo times medianos, que passam a ter uma fonte adicional de renda nada desprezível. Por aqui, parte do problema é que essa competição é muito recente: surgiu em 2002, substituindo a Copa Mercosul, que antes tinha substituído a Copa Conmebol e a Supercopa. Se a Copa Sul-Americana emplacasse, isso seria um baita estímulo para o Brasileirão por pontos corridos.
  • É meio lugar comum, mas dada a zona que é isso aqui, é preciso repetir um dos melhores pontos do regulamento atual: aos poucos as diretorias estão aprendendo que sem planejamento não dá pé. A competição, longa do jeito que é, privilegia muito quem já tem time e principalmente quem já tem elenco. Essa palhaçada de ir contratando meio mundo ao longo da competição não cola mais.
  • Por fim: o animador do Brasileirão é que ele tem tudo para ser a competição mais disputada do mundo mesmo. Na Espanha, todo ano a gente já sabe que é Real Madrid ou Barcelona (o Valencia, falidão, nem incomoda mais). Na Itália, depois do rebaixamento da Juventus, a coisa ficou entre Inter, Roma (aka o time sem atacantes) e o Milan (melhor time master do mundo). Na Inglaterra, é Manchester, Liverpool, Arsenal ou Chelsea. Na França o Lyon está prestes a se tornar heptacampeão. E por aí vai. Aqui, tanto pela desorganização quanto por muitos outros motivos, temos sempre um montão de gente em condições de brigar pelo título. Só neste ano, temos aí São Paulo, Inter, Santos, Cruzeiro, Palmeiras e, quem sabe, Fluminense e Botafogo. E isso porque eu não sei nada dos times do Paraná nem dos times do Nordeste. Eu não falo nada sobre o Flamengo porque tristeza pouca é bobagem.

Pedro

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