melhor que o eto’o (e quem não é?)

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boa noite rio, tchau brasil: flamengo campeão estadual 2009.

Agosto 3, 2008 · Deixe um comentário

Nesse feliz fim de semana eu passei mal, meu computador começou a travar e o Flamengo comemorou o fim de 2008. Felicidade.

O Cruzeiro brincou no Maracanã hoje. Vai ser campeão brasileiro. Teve o gol do Vandinho, mas dessa vez o futebol achou por bem não recompensar a incompetência e permitiu que o Cruzeiro virasse.

Foi duro, viu. Os cruzeirenses são muito melhores que o Flamengo. Muito. Eles sabem fazer tudo que a gente não sabe. É um time que sabe segurar a posse de bola e que toca muito bem; mas isso só funciona porque os jogadores conseguem dominar sem cair, agüentam os trancos da zaga de pé e não têm medo de partir para cima.

No Flamengo, não tem nada disso.

O pobre do Erick Flores mais merece um Bolsa Família, para ver se fica mais tempo de pé do que no chão.

O Diego Tardelli é um vazio. A ausência dele vai ser é bola para o time. Ele pede a bola e parte para cima. Até aí tudo bem. Mas é um fominha desgraçado, sempre acaba tropeçando sozinho e não é capaz de acertar o gol nem Jesus transformar o goleiro num pernil.

E por aí vai. O Léo Moura tem conseguido o impossível – ele não ataca e não defende; só pega a bola na intermediária defensiva, vai caindo na diagonal para o meio, leva um encontrão, fica no chão e pimba.

O Obina é uma piada coberta de dendê.

E tudo isso é irrelevante. A questão é: e agora? E agora danou-se, eu acho.

Se o Renato Augusto serviu para encher o fiofó do Márcio Braga de dinheiro, por que diabos o Flamengo foi catar laterais reservas e artilheiros da segundona enquanto o Grêmio soube trazer o Tcheco e o Souza, o São Paulo contratou o André Lima, o Inter traz Daniel Carvalho & D’Alessandro etc etc etc?

Fora que…vejamos. O Jaílton melhorou ultimamente. Tem marcado melhor. Tem até saído melhor com a bola. Mas ele continua muito ingênuo. Não acompanhou o infeliz do Cruzeiro no segundo gol; tomou um chapéu de pura ingenuidade no segundo tempo. Por bobagem também fez pênalti contra a Portuguesa. Por que não deixar ele cumprir o destino dele de ser um bom reserva?

Recua o Cristian, Caio Jr, por favor. Bota ele ali plantado no meio da zaga. Ele é mais habilidoso e passa melhor que o Jaílton. Proíbe o Angelim/Dininho/Thiago Salles de encarnar o ponta esquerda. Proíbe o Juan e o Léo Moura de ficarem sempre caindo para o meio. Deixa o Jônatas aprodecer no inferno. Planta um atacante na área e deixa o Éder – sim, o Éder, veja a que ponto nós chegamos – ficar ciscando ali em volta. Não substitui o Toró nunca mais, porque ele é o deus da raça dessa trupe mal ajambrada que a gente tem. Obriga o Ibson a honrar o salário que ganha.

Tá difícil. Eu falei que ia dar merda, não falei? E nem acho que é pela ausência do Renato Augusto, do Marcinho ou do Souza… o time no início do campeonato é que estava muito além do que podia. Mas mesmo assim… o Flamengo entra em campo agora e se vê que falta confiança. E só chutão pra frente. Ninguém tem moral de botar a bola no chão e partir para cima. É lançamento ou passe para o lado. Assim não dá.

Enfim, é isso. Um post desconjuntado para um time atolado. Será que a Net devolve o dinheiro do pay-per-view?

Pedro

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zero a zero à esquerda

Julho 28, 2008 · Deixe um comentário

sem souza e toró para chutar a cabeça do castillo, a melhor coisa do flamengo x botafogo acabou sendo a entrevista do wellington paulista, ao fim do clássico no maracanã, em que ele fala algo nas linhas de: “até que esse empate fora de casa não foi um mau resultado para o botafogo”.

já dizia o youtube: antigamente existiam quatro grandes times no rio…

***

e por falar em rio, quem vai condenar a sinceridade do ÍDOLO tricolor Thiago Neves nessa entrevista durante a preparação da seleção olímpica (aproximadamente aos 3 minutos)?

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estou bobo

Julho 24, 2008 · Deixe um comentário

Quase não dá para ficar chateado com o empate do Flamengo com a Portuguesa. Mentira, dá sim. Que amarelada. Mas, por outro lado, foi o melhor jogo desde… Flamengo e Atlético Mineiro. Foi infinitamente bom de ver e infinitamente angustiante torcer.

Se fosse Pororoca do Norte e Pituca FC eu estaria sorrindo de uma orelha à outra. Gol de mão, pênalti que o juiz manda voltar, expulsão marota, umas duas ou três grandes defesas de cada lado, dribles fantásticos do Ibson e do Diogo dentro da área do adversário… e amarelada no final. A jogada foi emblemática do Flamengo – Juan, o melhor e mais taticamente indisciplinado jogador do Brasil (e isso não é uma crítica, pelo menos não aqui), pega a bola na ponta direita, parte para dentro e sofre o pênalti. Ibson, um dos volantes mais habilidosos e eficientes, vai lá e converte. Mais ou menos assim.

É claro que tudo isso poderia ter sido evitado se o Jaílton não tivesse voltado a ser o Jaílton e cometido um pênalti mongolóide. Ou se o acarajé mágico do Obina, o Obama brasileiro, não tivesse acabado – eu juro que quando ele entrou eu pensei que esse era o típico jogo em que o infeliz marca gol. Não marca. Não mais. Fez menos do que o Souza, que cada vez mais me convence de que ele é um Toró no corpo de um Shaquille O’Neal; tem alguma habilidade fora da área, protege bem a bola, mas volta e meia prende e muito e é pura ineficiência na frente do gol.

E o tal do Diogo, hein? Ele e o Juan foram os melhores em campo. Ao contrário do Ibson, o sangue frio falou mais alto e ele fez o pênalti que o juiz mandou voltar. Foi um perigo constante, se movimentando o tempo todo, com habilidade para prender a bola no pé e tamanho para aguentar os trancos da zaga. Jogou quase sozinho e segurou a onda, incomodou o tempo todo. Não tinha uma bola no ataque da Portuguesa em que ele não estivesse na jogada.

Com o Juan..bem, foi o de sempre. Passou bem, mostrou visão de jogo, criou chances, roubou umas bolas. E não foi o suficiente. Não vou dizer que agora é puro sinal vermelho no Flamengo, porque na pior das hipóteses o time termina a rodada em segundo. Mas é preciso contratar pelo menos mais um homem de frente. Talvez o Éder ainda engrene, mas não é suficiente. E, mais uma vez, ficou claro que não dá para confiar no Tardelli, que, de resto, até correu bastante.

(O Tardelli é o anti-Marcinho. A gente vê ele correndo muito, tentando muita coisa, fazendo umas jogadas doidas de bonitas, mas, no fim das contas, a câmera sempre corta para aquela expressão de “ai, meus sais, foi quase” dele no fim do lance.)

Que frustração. Para cada coisa boa do jogo de hoje há uma ruim.

Bom: o Flamengo jogou melhor do que no domingo, tocou mais a bola, parecia mais ligado no jogo.
Ruim: além de dois pênaltis muito bobos, a Portuguesa chegou cara a cara várias vezes. E naquele drible do Diogo quase deu vontade de torcer para ele marcar.

Bom: Léo Moura atacou bem mais, principalmente no primeiro tempo, e, com a volta do Juan, o Flamengo conseguiu esgarçar a defesa da Portuguesa e criar espaço em campo.
Ruim: o espaço extra adiantou muito pouco porque metade das vezes o time tentava começar a jogada pelos pés do Cristian.

Bom: o time conseguiu sair na frente, levou o empate logo em seguida, mas manteve a cabeça em pé e fez o segundo ainda no primeiro tempo.
Ruim: precisa falar?

Bom: mesmo jogando na casa do adversário e com um homem a menos, o time mandou no segundo tempo e obrigou a Portuguesa a jogar só nos contra-ataques. Melhor ainda, conseguiu criar umas duas ou três chances claras de gol.
Ruim: os contra-ataques da Portuguesa foram quase mortais, mas isso eu já falei. O ruim mesmo foi jogar com um homem a menos por nada. (Caro Kléber Leite, favor conferir o número de cromossomos do Tardelli. Grato)

Bom: o Caio Jr mostrou mais uma vez que está nessa para ganhar. Entrou com três atacantes e, mesmo com o jogo empatado e com um homem a menos, recusou-se a colocar mais um homem de marcação.
Ruim: já são três jogos sem vencer e, a essa altura, ou ele está arrependido de ter ficado no Flamengo ou já já vai ter um idiota reclamando no ouvido dele.

Bom: um pontinho fora de casa, derrota do Cruzeiro, derrota do São Paulo.
Ruim: Vitória venceu. Marquinhos, Cleiton Xavier e (talvez) Diogo são os nomes do campeonato até aqui.

Bom: não perdeu de novo.
Ruim: adivinha quem comprou o Ibson no Cartola?

 

Pedro

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À guisa de anedota

Julho 21, 2008 · Deixe um comentário


O vice-presidente de futebol do Flamengo, Kléber Leite, ao explicar o porquê da “aposentadoria” do novo uniforme do clube, alegou, entre outros motivos, que este modelo foi inspirado em um período não muito glorioso na história do Flamengo e que não haveria motivos para tal homenagem. Pois bem, entre 1980 até 2001 o Flamengo tinha estampado três estrelas ao lado do escudo em sua camisa. Cada uma dessas estrelas representava um tricampeonato ganho pelo clube: 42/43/44, 53/54/55 e – pasmem -, 78/79*/79. Quer dizer, não deve haver nenhum motivo mesmo para homenagear uma década cujas conquistas sequer estamparam o peito de todo rubro-negro por mais de 20 anos, né?

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cinco pontos

Julho 13, 2008 · Deixe um comentário

Que molezinha o clássico carioca. Só isso. Os caiojuniores jogaram com calma, tranquilidade, nos erros da defesa horrorosa do Vasco. Só o Marcinho não correspondeu, mas depois daquele gol do Cristian não dá para reclamar de nada.

Três coisas bacanas do jogo:

  1. A defesa. Justinha, deu pouco espaço para o Vasco, conseguiu mil desarmes – esse, aliás, é o ponto forte do Flamengo. Enfim, tudo funcionou bem melhor do que contra o Atlético. Fábio Luciano fez até gol. O garoto Airton entrou bem e não comprometeu. O gol do Alex Teixeira foi meio de bobeira, mas já estava 3 a 0, não dá para reclamar.
  2. Já a zaga do Vasco é um desastre. O pênalti foi de uma ingenuidade à la Luke Skywalker no primeiro Star Wars. No segundo gol o camarada tirou a bola que era toda do goleiro. E por aí vai. Só bola nas costas.
  3. O Caio Jr é provavelmente o treinador mais ofensivo do Brasil. Tipo um anti-Muricy. Com o jogo ganho ele tirou o Jônatas e botou o Tardelli. Que beleza. Depois tirou o Marcinho e pôs o inútil do Obina. Maravilha. No jogo contra o Sport, na Ilha do Retiro, ele já tinha tirado um cabeça de área para colocar o Maxi quando o jogo estava 1 a 1 – um resultado que já seria muito digno. É isso aí. Se fosse o Joel, aposto que quem ia entrar hoje era o Dininho.

pedro

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O Fla x Vasco mais importante da vida deles

Julho 12, 2008 · Deixe um comentário

Quem lê este blog (e aliás, quem lê este blog?) com alguma freqüência já sacou que mais da metade dos autores – e principalmente os que postam mais freqüentemente – são flamenguistas. Por isso o “deles” do título. É o Flamengo x Vasco mais importante para eles, os vascaínos, os rivais, a turma da fuzarca, o time da virada, o Machão da Gama. Mas por que é o mais importante?

Pergunte a qualquer um dos nossos rubro-negros de plantão qual time de que mais tiveram ódio e satisfação de vencer. Qual time já comandou seu maior respeito e desrespeito. Qual time que eles mandavam “tomar no…” quando comemoravam qualquer título. Em qual torcida a Jovem Fla diz que vai “dar porrada” em suas canções. Qual dirigente que era xingado enquanto o Maracanã berrava Meeeeeeeeeeengooooooooooooooo.

De dois anos para cá, isso mudou. De repente, aquele seu amigo vascaíno que te desafiava, que achava o Fábio o melhor goleiro do Brasil e que o Morais era o futuro da Seleção Brasileira, que sabia que o Vasco sempre brigava pelas primeiras posições, que reclamava que o esquema pró-Flamengo era a única coisa que o impedia de ter ainda mais títulos, calou-se. O peso de quatro finais de Estadual perdidas em seqüência, somada a uma decisão de Copa do Brasil, foi uma humilhação que machucou fundo na alma. Os cruzmaltinos caíram em desilusão. Não que eles tenham perdido a crença no time, a coragem de dar a cara à tapa, sua atitude de acreditar que a virada é sempre possível. Simplesmente diminuíram o volume, aquela chama diminuiu um pouco, e a realidade bateu: tem alguma coisa errada.

Do lado rubro-negro, eu tive uma revelação quando ouvi torcedores mais novos do meu time, gente que se envolveu mais recentemente com o futebol, reclamando de botafoguenses, tricolores, corintianos, são-paulinos… mas desprezando: “Vascaínos? Ah, eu não tenho problemas com eles não…” “Pra mim não fede nem cheira, eu gosto do Vasco…” “Vasco, ah, eles não fazem mal a ninguém, tenho pena deles…

Como é que é??? Pena??? Do Vasco????? Vocês não gostam do Botafogo, não gostam do Fluminense, mas não têm problemas com o Vasco???? Como assim??? Que flamenguistas são vocês??? É o Vasco!!! O Asco!!! O Vascu!! O time que me fez chorar em 88, em 93, em 97!!!

Mas infelizmente (para eles), hoje é o Vice da Gama. A fama de freguês esfriou a rivalidade e gerou uma máxima entre os torcedores do Fla: “Se o jogo é de decisão, é nosso“. Nos últimos anos, era assim que eu encarava qualquer clássico contra o Vasco, e a regra quase sempre seguia assim: se ambos os times estavam em momentos medianos do Campeonato Brasileiro de pontos corridos, o Vasco saía vitorioso. Fazia 3 a 0, 3 a 1, 4 a 1, e se esbaldava. Porém, se fosse um jogo decisivo – final ou semifinal de Carioca, Flamengo em situação de rebaixamento – a vitória vinha para a Gávea. No ano passado, porém, os rubro-negros ganharam dos cruzmaltinos por 2 a 1, no meio do segundo turno, para ganhar fôlego rumo ao terceiro lugar, e alguns vascaínos reconheceram: “agora até em jogo que não vale nada, a gente perde”.

Este domingo, entretanto, é diferente. Não é uma simples partida de Brasileiro. O Flamengo é líder e a torcida estendeu uma faixa na arquibancada exigindo o título. Cada partida virou, como os locutores insistem em nos empurrar, “uma decisão”. Para piorar, a vitória se tornou quase uma obrigação após a “Suruba dos Urubas”; virou questão de honra provar que o time mantém o foco mesmo com todas as distrações.

Do outro lado, São Januário vive o início de uma nova era. Otimismo de todos os lados depois de se livrar do ex-Messias-tornado-Judas, o Getúlio Vargas da Colina, Eurico Miranda, cuja era marcou o acirramento da rivalidade, que tomou uma vida maior que o clube. Vencer o Flamengo virou o único propósito, o resto dos campeonatos era mero detalhe. O Vasco deixou de ser Vasco e Eurico deixou de ser Eurico, menos preocupado em montar timaços como Romário-Roberto-Geovani-Bismark, Bebeto-Edmundo-Bismark-Roberto, Edmundo-Evair-Juninho-Felipe, Donizete-Luizão-Juninho-Pedrinho-Felipe, Romário-Edmundo-Juninho-Juninho, mais preocupado em badernar, fazer confusão, exibir poder.

Vencer no domingo não encerra de vez a provocação dos flamenguistas nem recupera cinco finais perdidas seguidas. Mas dá ao Vasco sua primeira seqüência de vitórias no Brasileiro, sua primeira série de triunfos na gestão do presidente-ídolo Roberto Dinamite, sua primeira “virada” no ano, uma volta à zona de competidores pelo título. Pode ser o início de uma nova era, em que Flamengo e Vasco continuam se odiando, e muito, mas que se respeitam de novo e sabem que, para que haja um, é preciso o outro – as quedas de Fluminense e Botafogo, que por um lado ajudaram a intensificar a rivalidade entre rubro-negros e vascaínos, por outro foi prejudicial para ambos em termos de exposição e rentabilidade.

Mais do que tudo, faz o Vasco voltar a ser Vasco: o time que todo rubro-negro detesta enfrentar e deseja derrotar.

Ad C

IMPORTANT UPDATE: Ou não.

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vai dar merda?

Julho 8, 2008 · 1 Comentário

Da série “tudo o que eu sei sobre futebol eu aprendi no Winning Eleven”: time que faz 2 x 0 antes de vinte minutos de jogo e consegue segurar mais uns minutos sem tomar gol já pode estender a canga, abrir uma coca cola e ler o jornal, porque a parada está no papo. Foi mais ou menos isso que o Flamengo fez contra o Náutico sábado e ainda sapecou um terceiro gol que é p’ra deixar o povo esperto. Até o Jaílton jogou razoavelmente bem.

Só que isso dá medo, muito medo. Cinco pontos de vantagem, Juan competindo pelo título de melhor brasileiro em atividade no país, Kleberson mostrando que ele também pode defecar no Fabregas… Estranho, muito estranho. Já desperta logo a sensação de vai-dar-merda.

O Flamengo que eu lembro é aquele time que suou muito para se classificar para a fase final no Brasileirão de 92, é o time do gol espírita do Petkovic aos quarenta-e-tantos do segundo tempo no tri estadual contra o Vasco, é o time do pênalti bizarro do Cássio contra o Fluminense na final da Taça Guanabara de 2001 e por aí vai.

Ou seja: medo, muito medo. Medo de que o Juan vá embora. Medo de um ataque que é Souza e Obina. Medo de que o Ibson vá parar no São Paulo. Medo de que o Luís Salém peça os óculos dele de volta para o Caio Jr. Medo de quando o Ronaldo Angelim decide que é ponta esquerda e se manda para o ataque. Medo de que o  Diego Tardelli lembre quem ele é e comece a criar confusão. Enfim, medo.

Pedro

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Fla-Flu no calçadão de Ipanema

Maio 31, 2008 · 1 Comentário

Estava andando outro dia no calçadão em Ipanema, num domingo de feriado, quando vi uma cena que me chamou a atenção, pouco à minha frente: dois amigos, um deles torcedor do Flamengo e o outro torcedor do Fluminense, caminhavam juntos rumo ao Leblon. Na verdade, é uma coisa muito corriqueira pela Zona Sul, onde os dois clubes imperam nos corações dos locais – o Botafogo tem uma boa representação, mas você não teria certeza se o Vasco é um time carioca se julgasse apenas pela quantidade de fãs entre São Conrado e Catete, é um grupo muito mais presente na Zona Norte do Rio de Janeiro. O que me chamou a atenção foi como os dois garotos representavam perfeitamente toda a relação entre a dupla Fla-Flu, com todas as semelhanças e diferenças que definem essas duas entidades do futebol; se Henri Cartier-Bresson tivesse fotografado, seria considerada uma obra de arte.

A simetria era incrível. Os dois garotos, na casa dos 17 aos 21 anos, andavam paralelamente, no mesmo ritmo em passos diferentes, e tinham aproximadamente a mesma altura. Ambos estavam descamisados, mas com os mantos de seus times estendidos sobre um ombro: o tricolor, à esquerda, tinha a camisa do Flu sobre o ombro esquerdo, com o escudo sobre o peito; o rubro-negro deixou sua camisa no ombro direito, com o escudo sobre as costas. O flamenguista usava um boné desses de funkeiro/playboy, o fluminense deixou o cabelo curto moreno pegando vento. Ambos de bermudas, mas o tricolor usava tênis, relógio no pulso e celular na mão, enquanto o rubro-negro não tinha nada nas mãos e caminhava de Havaianas.

A primeira coisa que qualquer um nota é a óbvia diferença de estilo dos dois. Flamengo e Fluminense são ambos nascidos no coração da aristocracia carioca, na classe média-alta, mas seguiram caminhos opostos. O clube de Laranjeiras sempre reafirmou seus laços com a elite e nobreza, enquanto o Rubro-Negro da Gávea buscou a popularização. Sem entrar em méritos de quais métodos o Fla se utilizou para se tornar símbolo popular e paixão nacional, o clube, apesar de enraizado numa área caríssima, conseguiu crescer e se tornar um time de massa, enquanto os tricolores jamais largaram mão de seu status, mesmo quando afundou na segunda metade da década de 90. E os garotos traduzem isto perfeitamente: o tricolor é o playboy despreocupado, que gosta de ter seu relógio de pulso, tem seu celular na mão para resolver qualquer parada, quer mostrar o cabelo bem cortado pra mulherada e não deixa de andar com estilo no tênis. O flamenguista não nega ser playboy, mas é mais largado, anda de sandália mermo, quer ser um pouco mais “do povo”.

O que mais me chamou atenção foi a simetria e perfeição de como as camisas estavam colocadas. O escudo do FFC estava sobre o peito, porque o tricolor carrega o Fluminense no coração. O escudo do CRF estava do outro lado, sobre os deltoides posteriores, porque o rubro-negro carrega o Flamengo nas costas.

Eu não quero insinuar que o flamenguista não seja completamente apaixonado pelo seu time, de jeito nenhum, porque eu amo essa camisa até o fundo da minha alma. Mas o tricolor é um passional muito diferente do que o rubro-negro; como foi dito por toda minha vida, o tricolor é um verdadeiro sofredor. Pense nas conquistas do Fluminense nas últimas duas décadas: dois títulos cariocas conquistados com gols no finalzinho (excluindo o título de 2002 que foi de menor expressão) e uma Copa do Brasil com empate no Maracanã e vitória suadíssima por 1 a 0 sobre o Figueirense em Santa Catarina. Até a vitória da semana retrasada sobre o São Paulo, nas quartas-de-final da Libertadores, foi com gol quase nos acréscimos. E a torcida foi junto ao time em sua decadente saga à Terceira Divisão, com muito choro, sofrimento e dedicação. Cresci rodeado (infelizmente) por tricolores em minha família e sei como foi o sofrimento. São torcedores que se entregam ao seu time…

…Mas amor é algo que nem sempre é correspondido. O Flu às vezes parece não responder aos clamores de sua torcida, uma das mais incansáveis do Maracanã. Sua indiferença crônica de elite muitas vezes interrompe o elo entre gramado e arquibancadas, o que é um triunfo quando o time joga fora de casa, mas cria problemas quando o adversário é melhor. E é aí que reside a diferença essencial para o Rubro-Negro, que vai aonde a torcida lhe levar.

Quando a torcida está determinada, o Flamengo é capaz de mover montanhas. Isso ficou claro com a campanha do time no Brasileiro do ano passado, quando nós – a Nação – nos juntamos estrategicamente para carregar o time a partir de seu retorno à casa, após mais de um mês de férias pelo Brasil por causa do Pan, para fora da zona de rebaixamento e de volta à relevância. Outros torcedores não entendem, desdenham como invenção midiática, mas era preciso estar lá no Maracanã para entender como 30, 40, 50, 60 mil torcedores conseguiram tornar um time limitado em vencedor e dar aquele empurrãozinho extra em muitas vitórias apertadas contra adversários melhores.

E ficou mais claro ainda na humilhação, neste ano; a eliminação nas oitavas da Libertadores frente ao América do México. Se a torcida está feliz e ultra-confiante, se instala o oba-oba, e o time vai junto. Logo o Maraca está cheio de visitantes de primeira viagem, o elenco e comissão técnica têm novos amigos que lhes consideram o máximo, acham que eles são foda e merecem sair mais na night, curtir a madrugada inteira, não precisam levar os treinos tão a sério, e é só aparecer no jogo que a vitória vem. Exceto que o outro time se preparou o ano inteiro pra isto, não estaria aqui se fosse ruim e sabe que tem que jogar tudo para bater o Flamengo, que esquece que, sem preparação, não vai ganhar.

Apesar de todas essas diferenças, os dois torcedores andavam juntos. Como poderiam estar separados? A história de Fla-Flu está eternamente interligada, desde a época em que remadores do Clube de Regatas representavam o Football Club, passando pela dissidência dos 10 campeões tricolores para formar o time de futebol rubro-negro, que perdeu o primeiro confronto com seu ex-clube na história, e indo além, com a eternização do Clássico das Multidões através dos irmãos Mário Filho (rubro-negro) e Nelson Rodrigues (tricolor), a eterna corrida pelos títulos cariocas, o gol de barriga de Renato Gaúcho em 95, as derrotas do Flamengo que selaram o duplo rebaixamento tricolor em 96 e 97 e os clássicos pós-rebaixamento que ajudaram o Fluminense a se reerguer no cenário carioca e nacional.

A cena se interrompeu quando uma bela menina – gostosa mesmo, daquelas que você só encontra andando na pista fechada de domingo no Leblon, ouvindo iPod com roupa de academia e cagando cheiroso pro resto do mundo – passou à frente da dupla, e ambos viraram os rostos em admiração. O troféu que encanta os dois, mas que pode tanto ser de um deles quanto de vários outros times, como meu, por exemplo. Foi neste momento que cessei de observar para apreciar minha nova vista. Sabe como é, fotografias de Bresson são geniais e oportunistas, mas esculturas às vezes são muito mais interessantes.

Ad C

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só faltam 35 rodadas

Maio 24, 2008 · Deixe um comentário

Companheiro Caio Junior, meus parabéns. Se hoje tiver sido o fim da Era Jaílton no Flamengo, você merece uma estátua. Sério.

Qual o cabimento de escalar Cristian, Jaílton e Toró e ainda tomar um gol como o do Nilmar? Passe bonito do Alex, os dois zagueiros mal colocados, os cabeças de área longe da jogada, toque com categoria do Nilmar.

A entrada do Jônatas, que, aliás, nem é essa brastemp toda, no lugar do Jaílton fez o time mudar da água para o vinho. Tudo bem que o primeiro gol foi meio mandrake (como é oportunista o Marcinho, que beleza), mas o time melhorou muito mesmo. O segundo foi uma belezura – time apertou a defesa, goleirão deu um bico para frente, o Inter tenta armar uma jogada, Toró rouba a bola, Cristian lança bonito (!) para o Tardelli, que finalmente acerta uma jogada, dribla o goleiro, sofre pênalti mas o Souza bota no gol.

Valeu. Foi difícil, o Inter dominou o primeiro tempo, o Léo Moura salvou uma bola milagrosa, mas pelo menos agora fica provado que com o Jaílton não dá. Marcador por marcador, o Cristian é melhor e sabe tocar a bola. E o Toró – que jogou muito bem, roubando várias bolas – tem mais raça. E o Jônatas arma melhor.

O Caior Junior já começou ousando hoje: escalou Marcinho, Souza e Tardelli. Tomara que vá adiante no próximo domingo: contra (provavelmente) os reservas do Fluminense, não há motivo para manter os três cabeças de área. Podia lançar o Jônatas de cara, caso o Ibson ainda não possa jogar, e mandar o Jaílton para o Curupira FC. E insistir com Marcinho, Souza e Tardelli na frente. Talvez funcione. É só manter o Souza mais na área – ele tem caído muito pela esquerda. Deixa o homem lá dentro, pede para o Tardelli e o Marcinho caírem pelos lados para jogar com Juan e Léo Moura, bota o Jônatas plantado no círculo central dando início às jogadas e pede para o Toró continuar correndo igual a um demônio. Talvez funcione. Mas o importante aqui é: Jaílton não!

(Ah, sim: pelamordedeus, seu Caio Junior, dá um jeito de acabar com essa “jogada” do Angelim, que volta e meia acha que é ponta esquerda e se pirulita para o ataque. Nunca dá certo e ainda deixa um buracão lá atrás)

Quanto ao Inter: urucubaca à parte – e mau-caratismo também, pelo menos se for verdade que ele compactuou com as maracutaias do Corinthians para “roubar” ele do Lyon – o Nilmar é, para o padrão brasileiro, um bom jogador. Acho que o Inter tem tudo para brigar pelo título ou pelo menos pela Libertadores esse ano, ainda mais considerando que o time jogou com um trilhão de desfalques. Fora que o Abelão merece a simpatia eterna de todo mundo. Em suma, não vejo como alguém pode achar que São Paulo, Santos ou Cruzeiro têm mais respaldo para brigar pelo título do que os colorados.

Pedro

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ai meu caio junior

Maio 18, 2008 · 2 Comentários

Que joguinho chinfrim o do Flamengo. O time parecia ter entrado bem, mas acabou levando um tremendo sufoco do Grêmio. Merecia perder. O zeroazero caiu do céu. Foram duas bolas na trave e algumas defesas muito boas do Bruno (até que enfim ele começou a se reabilitar…). O time não produziu nada; o melhor momento foi a furada do Marcinho dentro da grande área.

De certa forma, tudo bem. Empate fora de casa é lucro, ainda mais contra times grandes. Fiquei muito bem impressionado pelo Grêmio, aliás. Muito vigor, muita força: acho que o Flamengo não levou a melhor em nenhuma trombada. O Juan começou várias boas jogadas, mas sempre perdia na força física. E o Grêmio lá: pessoal forte, correndo para burro, fazendo a maior marcação intensa e ainda conseguindo criar jogadas. Nunca tinha visto o tal do Perea jogar… ele se encaixaria bem no Flamengo: tem a força e o físico do Souza e a movimentação do Marcinho. Até o Roger apareceu..não fez nada excepcional, mas incomodou e deu trabalho para o Toró, que, por sinal, foi um leão na marcação.

O Flamengo sofreu muito com a pegada gaúcha. É o velho clichê dos times do sul, mas no caso até valeu. E o Souza acabou fazendo falta. Várias jogadas morreram porque não tinha ninguém na área para tentar qualquer coisa. Aí o pessoal prendia a bola, ia pra lá e pra cá e nada. Com Marcinho e Tardelli abertos pelas pontas, ficou só um buracão no meio à espera de alguém para incomodar a defesa.

E o Kléberson, hein? Que decepção. Ele tem sido uma nulidade completa. E desde que entrou o Ibson não vem jogando mais nada. Muito estranho. A impressão é que os dois ficam disputando o mesmo espaço e esquecem do resto.

Mas o que incomodou mesmo foi a falta de alguém com espírito de decisão, com chegada. Alguém tipo o Cabañas.

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flamengo, que flamengo?

Maio 8, 2008 · Deixe um comentário

Essa foi a derrota mais sobrenatural que eu já vi. E foi também a redenção de todos os clichês do futebol, de toda aquela lenga-lenga sobre comemorar antes do tempo, menosprezar o adversário e tudo mais.

E foi tudo isso e também não foi. Não adianta dizer que faltou concentração, que o time estava relaxado ou o quê. Nada disso causou a derrota. E também não adianta dizer que foi tudo junto, porque se é tudo, então é porque não é nada.

Mesmo com 2 a 0 eu continuava achando impossível o Flamengo perder. Errei feio. É que o jogo simplesmente não existiu. O Flamengo chutou mais, dominou a posse de bola, entrou em campo parecendo que ia golear. O América melhorou muito ao longo do tempo, principalmente na marcação. Mas é um time horroroso. O gorducho de bigode lá é um jogador decente e olhe lá. Sabe dar tranco nos zagueiros e prende bem a bola. Mas é só.

Essa foi a pior partida que o Souza fez pelo Flamengo. Pior. Coisa horrorosa. Não só perdeu vários gols como ainda matou um monte de jogadas por estar impedido. Foi grotesco.

E por quê o Bruno ainda tem tanta credibilidade com a torcida? Ele sai mal do gol e tem falhado cada vez mais. Um frango ridículo quase complicou tudo na final do Estadual. E o golpe de vista no primeiro gol do América? O Cabañas deu um chutão pro alto, de fora da área, sem nenhum efeito mirabolante…. e o Bruno tava absurdamente mal posicionado. Aceitou.

E o tal do Leonardo? No Carioca, na primeira partida em que ele jogou ele tratou de fazer um pênalti, contra o Mesquita ou Resende ou algo do tipo. Ontem ele estava tão fora de posição no segundo gol do América – aliás, o Léo Moura também estava, mas o propósito de escalar o Jaílton não é justamente para liberar os laterais? – que deu até dó. Nulidade absoluta.

E o Kléberson? E o Ibson? Jogador não desaprende a jogar. O Joel não conseguiu descobrir o que fazer com o primeiro e nem deu jeito na má fase do segundo. Alguma coisa está errada aí.

E mesmo assim…esse jogo foi pior do que a derrota para o Santo André em 2004. Uma coisa é perder de 1 a 0 num puro acaso e por falta de “raça”. Outra coisa é tomar três gols e não conseguir fazer nenhum contra um time que não dominou o jogo em nenhum momento, que nunca pressionou de verdade e que não fez qualquer ousadia.

É até desnecessário procurar qualquer “causa”. Qualquer detalhezinho provavelmente teria mudado tudo. Se o Joel fosse menos tosco e tentasse conhecer melhor o América e tivesse feito uma marcaçãozinha mais forte no Cabañas tudo ficaria bem. Se o Souza jogasse um pouquinho melhor ontem – e olha que não é tão difícil, ele foi muito bem na arrancada do Flamengo no Brasileirão… Se o juiz tivesse expulsado aquele zagueiro que fez uma falta ridícula no Obina (e era o último homem)… Se não tivesse oba-oba, se o Fábio Luciano tivesse jogado, se o Toró não tivesse dado o cutucão que gerou a falta do terceiro gol, aliás, se a bola não tivesse desviado na barreira…

É. Deus dá com uma mão e tira com outra.

É isso aí,

Pedro.

p.s.: não, eu não sei como adicionar a autoria a cada post. Alguém pode ajudar?

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ainda sobre espinhas dorsais

Maio 8, 2008 · 1 Comentário

em luz desse tipo de coisa, acho válida a sobreposição:

glorioso…

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coisas sem sentido #1

Maio 7, 2008 · Deixe um comentário

  • Times que disputam a Libertadores não jogarem a Copa do Brasil. Tudo bem, poderia ser complicado organizar o calendário para conciliar Copa do Brasil, Libertadores, Estaduais e Campeonato Brasileiro. Mas custava tentar? Reduz o Brasileirão um pouquinho, encurta os Estaduais etc etc. Do jeito que está, é o pior dos mundos: desvaloriza a Copa do Brasil e tira uma fonte de renda dos clubes que estão na Libertadores. Garanto que o pessoal que pede pela volta do mata-mata no Brasileirão ia se acalmar um pouquinho se a Copa do Brasil – que é, por definição, uma grande celebração do mata-mata – incluísse todos os grandes times.
  • O Cuca levar um banho do Joel nos dois jogos das finais do Estadual e mesmo assim ser eleito melhor técnico do Rio. O Joel fez a mesma coisa nos dois jogos: botou mais dois atacantes, recuou os cabeças de área e passou a jogar no contra-ataque e na velocidade. Nos dois jogos, o Flamengo roubou mil bolas na intermediária e criou um milhão de chances de gol. E o Cuca? Não fez nada.
  • O Romário não ter sido convidado para substituir o Joel. Sério. Se a opção é ou um novato almofadinha ou um veterano fracassado, por que não chamar o Romário? Moral ele tem. Principalmente com a torcida. E, convenhamos, é só deixar como está e ficar na lateral gritando vamuláporra.

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