melhor que o eto’o (e quem não é?)

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zero a zero à esquerda

Julho 28, 2008 · Deixe um comentário

sem souza e toró para chutar a cabeça do castillo, a melhor coisa do flamengo x botafogo acabou sendo a entrevista do wellington paulista, ao fim do clássico no maracanã, em que ele fala algo nas linhas de: “até que esse empate fora de casa não foi um mau resultado para o botafogo”.

já dizia o youtube: antigamente existiam quatro grandes times no rio…

***

e por falar em rio, quem vai condenar a sinceridade do ÍDOLO tricolor Thiago Neves nessa entrevista durante a preparação da seleção olímpica (aproximadamente aos 3 minutos)?

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cara de pau

Julho 17, 2008 · 1 Comentário

Depois do jogo de ontem, será que alguém ainda tem a cara de pau de dizer que o Thiago Silva é o melhor zagueiro do Brasil? Ou que o Luís Alberto serve para alguma coisa?

Esse time do Fluminense é detestável e a culpa é do Renato. Sempre foi gênio das entrevistas quando era jogador, mas bastou virar professor que deixou a galhofa de lado* e passou a inventar factóides. Esse do Thiago Silva é o pior deles. Em breve um europeu incauto vai pagar uma fortuna por ele.

A imprensa esportiva carioca (só a carioca?) está mesmo mal das pernas. Antes, era o mito de que o Botafogo jogava o “futebol mais bonito do Brasil”. E de que o Lucio Flávio não era retardado. Agora, o Thiago Silva. Ainda bem que o Fluminense perdeu para a LDU, senão a gente ia ter que engolir um “Washington é o maior artilheiro do Brasil” também.

* não que ele não tenha lampejos de genialidade: ontem na Globo o infeliz do repórter lançou um “tá com tanto frio pra usar luva aí, Renato?”, que felizmente foi rebatido com um olhar de desprezo e emendado por “e você tá com esse casaco aí por que?”. Valeu Portaluppi.

pedro

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3 x 1

Julho 5, 2008 · Deixe um comentário

3 a 1. Um placar tão comum no futebol – não tão comum quanto o 2 a 1, talvez, mas 3 a 1 é um placar bastante comum no futebol sim. Que o diga os tricolores cariocas, que o viram acontecer duas vezes na quarta-feira: 3 a 1 para eles no tempo normal, nos 90 e poucos minutos de jogo, e 3 a 1 para a LDU nos pênaltis, decretando um título da Copa Santander Libertadores que poderia ter ido para ambos os lados e seria justo do mesmo jeito. Só que o 3 a 1 foi muito mais do que um resultado duplo num dia de decisão; para o Flu, 3 a 1 definiu toda a temporada 2008 até o momento.

Tudo começou ainda em janeiro, quando eram 3 atacantes a 1 time titular. O Flu começou a temporada contratando um trio de atacantes de fazer inveja a qualquer clube: Washington, Dodô e Leandro Amaral. Talvez por isso, a imprensa tenha caído em cima – sabe-se muito bem que a maior parte dos jornalistas cariocas torce para o Flamengo, o que embora os torcedores rivais ergam como uma grande conspiração que se transformou na famigerada “FlaPress”, é apenas uma reflexão da sociedade carioca, em que a maioria também é rubro-negra. Se essa característica realmente se deixa transparecer por sobre o discurso de imparcialidade, não cabe neste texto discutir, mas não custa levantar a possibilidade que os flamenguistas das redações, temerosos com seu time que também disputaria a Libertadores, convenceram os coleguinhas de outros times que a formação do Flu não daria certo, e que a equipe estava fadada a falhar.

De 3 atacantes a 1 atacante só. A formação, de fato, teve poucas boas partidas juntos, e o consenso geral era que o técnico Renato Gaúcho precisava colocar um deles no banco. Mas qual? A Justiça fez o favor de livrar Renato de fazer uma escolha, ao impedir Leandro de jogar e mais tarde, reclamá-lo ao Vasco após uma série de liminares, acusações, promessas e lamentações. Em seguida, Dodô sofreu uma lesão bizarra, um afundamento na face, que o afastou dos campos e forçou o técnico tricolor a ir à guerra apenas com Washington na frente. Cícero foi colocado ao lado do centroavante como atacante, mas todos sabiam que Cícero era um 3 em 1 encarnado: meio-atacante, meio-volante, meio-tudo que o Nense precisasse.

De 3 competições a 1 só. Para a primeira metade de 2008, o Flu estava programado para disputar três competições: o Carioca, a Libertadores e o Brasileiro. Porém, o foco era chegar a um torneio que o time não estava nem inscrito ainda, o Mundial Interclubes da Fifa, troféu mais cobiçado pelos torcedores brasileiros. Para isso, porém, os tricolores abdicaram dos outros campeonatos que disputaram. Após dar bobeira e jogar mal a semifinal da Taça Guanabara, o time poupou seus titulares por boa parte da Taça Rio, chegou à decisão aos trancos e barrancos – vencendo uma decisão por pênaltis com o Vasco na semifinal – e jogou distante, com a cabeça na Libertadores, na final contra o Botafogo. Conforme foi avançando, o Flu também resolveu deixar o Brasileirão de lado e só escalar reservas. A Libertadores virou obsessão, obrigação, ocupação.

3 a 1 São Paulo. As quartas-de-final da Libertadores guardavam um confronto com o Tricolor mais bem-sucedido do país, o paulista. O atual campeão brasileiro venceu em Sampa por 1 a 0, e após marcar um gol no Maracanã, deixou ao Fluminense apenas uma opção: vencer por dois gols de diferença ou ir embora da Libertadores. Dodô marcou imediatamente e Washington acabou com o sufoco com um gol a três minutos do fim. Uma vitória de superação, para dar moral, rumo às semifinais.

3 a 1 Boca Juniors. Desta vez, o time já havia empatado contra os argentinos na primeira partida das semifinais, em Buenos Aires, e quem vencesse no Rio, levava. Os hermanos saíram na frente, mas a virada veio logo em seguida. O terceiro gol não era necessário, mas surgiu nos minutos finais, do pé de Dodô, para afastar de vez o fantasma do “matador de brasileiros”, o temido Boca, e dar a impressão que um novo time estava prestes a entrar na galeria de gigantes do país e do continente, junto ao Flamengo de 81, o Grêmio de 83, o São Paulo de 93, o Vasco de 98, o Palmeiras de 99, o Inter de 2006, entre vários outros.

3 semanas a 1 decisão. Após a vitória emocional e efusiva sobre o Boca, o Fluminense se viu obrigado a esperar mais 21 dias para disputar os jogos que esperava disputar desde 6 de junho de 2007, quando levou a Copa do Brasil e se garantiu na Libertadores. O calendário previa duas semanas de “datas Fifa”, que significam jogos de seleções nacionais e folgas para os clubes. Tempo suficiente para aumentar as expectativas, ampliar ainda mais o nervosismo e as pressões, desconcentrar-se, reconcentrar-se, perder-se e reencontrar-se. E se as finais tivessem acontecido logo na semana seguinte à semifinal? Será que o Fluminense seria derrotado, com tanta moral? Será que a LDU ou qualquer outro time seria capaz de evitar uma avalanche tricolor?

Quando Campos marcou 3 a 1 para a LDU, aos 32 minutos do primeiro tempo do primeiro jogo da decisão, notou-se que a avalanche tinha caído na cabeça do Flu. O primeiro tempo terminou 4 a 1, mas naquele gol de cabeça de Campos, em falha de marcação dos tricolores na cobrança de escanteio, já ficou claro que aquele não era o mesmo Nense das duas fases anteriores, e ficou a impressão de que os equatorianos podiam, sim, ser campeões. Meu irmão, sempre confiante na tradição tricolor de dramatizar toda e qualquer conquista e vencer na superação, se disse despreocupado e sorria, desafiador, antes mesmo de Thiago Neves reduzir para 4 a 2 e de Renato garantir, para todo mundo ouvir em coletiva de imprensa, que seu time se sagraria campeão no Rio de Janeiro. Eu, da minha parte, raramente acerto, mas desta vez, os resultados anteriores eram suficientes para que cravasse: será outro 3 a 1, e a coisa vai pegar na prorrogação.

3 gols a 1 jogador. Na verdade, foi a isso que se resumiu a vitória tricolor na última quarta no Maracanã: uma apresentação magnífica de Thiago Neves, o “Hat Trick Hero” da noite, como nos ensinou o Fifa Soccer nos anos 90. O resto do Flu foi bravo, lutou, jogou, se entregou, mas nada conseguiu. Repentinamente, as 3 opções de Renato para o ataque – Washington, Cícero e, a partir do segundo tempo, Dodô – não conseguiram marcar 1 gol do título.

3 erros capitais de marcação a 1 árbitro: o péssimo Hector Baldassi, que deixou de marcar um pênalti para o Flu, apontou impedimento inexistente de Cícero quando este estava de cara com o goleiro e, no final da prorrogação, anulou gol legítimo de Bieler, da LDU.

3 a 1 nos pênaltis. Thiago Neves quase mudou a história, mas o goleiro Cevallos catimbou, conseguiu que o juiz anulasse a cobrança certeira do meia, e pegou com o pé a segunda tentativa, já nervosa, apressada e prejudicada. Neves foi condenado ao seu próprio 3 a 1, de 3 gols a 1 pênalti perdido. E na baliza em que aconteceu a disputa, o Flu tem agora desvantagem de 3 a 1 em pênaltis: foi lá que perdeu para o Corinthians em 1976, para o Flamengo em 2001 e agora para a LDU, e foi na mesma trave que derrotou o Vasco na Taça Rio deste ano.

3 tempos disputados contra 1 apagão. Essa foi a justificativa dada pela maioria dos analistas para a derrota. Afinal, se apagado o primeiro tempo do primeiro jogo, o Flu venceu por 4 a 1 os três tempos seguintes. Mas não foi só isso. A LDU jogou à altura da decisão e levou perigo ao anfitrião neste segundo jogo, tanto no tempo regulamentar quanto na prorrogação. Os cariocas cumpriram seu papel, jogaram o que puderam, fizeram o melhor que sabiam com as ferramentas e situações que receberam, e perderam em uma disputa que nunca tem favoritos e que pode pender para qualquer lado dependendo do dia. Pênalti não é loteria, mas é preparo físico, mental, emocional, concentração, percepção espacial, interpretação, compreensão, geometria, física… Muito mais do que simplesmente um jogador contra um goleiro.

De 3 competições a 1 só. O Fluminense está de volta ao Brasileiro, onde tem três concorrentes à sua frente – Santos, Goiás e Ipatinga – juntos na zona de rebaixamento, com oito rodadas passadas. O primeiro time fora da zona, Botafogo, tem quase três vezes seu total de pontos – 8 contra 3. Para chegar à zona de classificação da Libertadores, para onde o Tricolor quer voltar no ano que vem, são 13 pontos atrás do quarto colocado, Palmeiras. Ainda restam 30 jogos, e como o Flamengo provou no ano passado, há muito tempo para arrancar e chegar nos times de frente da tabela. É só o Fluminense colocar os 3 a 1 para funcionar a seu favor novamente.

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Perguntar não ofende, né?

Junho 25, 2008 · Deixe um comentário

Considerando que metade dos ingressos pra Flu x LDU, jogo de volta, ficaram nas mãos de cambistas, vão sair a 200 reais a meia e muitos tricolores não poderão entrar no Maracanã, é justo que a torcida tricolor cante “urubu cuzão, chegou a hora de assistir televisão!”?? Metade da torcida deles também vai ter que ver pela TV… e a maioria dos torcedores do Fla nem tem TV, tem que ouvir no radinho…

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é o jeito: a ldu é o brasil na libertadores

Junho 5, 2008 · 2 Comentários

O Fluminense ameaçou amarelar, depois lembrou que isso é coisa do Botafogo e sapecou 3 a 1 no Boca. Acabou sendo justo.

O Boca tem um baita time para os padrões sul-americanos: poucos chutões para o alto, toque de bola melhor do que qualquer brasileiro (e ontem, com o campo enorme do Maracanã, eles acertaram uns passes que deram aperto no coração), três jogadores acima da média (apesar de o Riquelme ter sumido no segundo tempo e o Palácio nem ter aparecido para jogar) etc etc. Estaria entre os favoritíssimos caso disputasse o Brasileirão.

Só que deu Fluminense. E não adianta reclamar que foi sorte, que o Fernando Henrique agarrou como um pai de santo nos dois jogos. (Até onde eu sei, goleiro faz parte do time, ué) Também não adianta falar que o Boca dominou a posse de bola e criou muito mais chances. (Esse jogo redimiu o chavão-mor de que quem não faz, toma). É verdade que o Thiago Neves sumiu de novo, que o Conca fez um gol mandrake em uma jogada em que ele tinha feito tudo errado… Até pode-se dizer que aquele gol de falta do Washington foi um prenúncio do apocalipse. Mas o fato é que, depois do empate, o Boca se mandou para o ataque como se não houvesse amanhã e, a partir daí, quem mais criou oportunidades foi o Fluminense. Foram pelo menos uns 5 contra ataques com chance clara e até bola na trave. Só o Dodô perdeu uns dois gols moles moles. Mas ele é o único que não dá para culpar: sofreu a falta do primeiro gol, deu o passe do segundo e fez aquela belezura no terceiro. Mudou o jogo. Fora o drible 360 a la Winning Eleven que ele deu. Homem do jogo…

Ok, talvez não seja o homem do jogo. Isso porque o momento crucial foi o gol do Washington. O infeliz vinha jogando muito mal – tropeçando na bola, incapaz de dar um drible, caindo para cavar falta etc etc. Mas fez aquele gol e obrigou todo mundo a concordar que ele é iluminado. Eu ainda não sei se ele é um dos piores super artilheiros do Brasil ou um dos melhores pernas de pau.

O que eu sei é que ele faz parte de uma linhagem clássica do futebol brasileiro, que vem desde o Fio Maravilha nos anos 70 e que, nos últimos 15 anos, gerou pérolas como Túlio, Jardel, Oséas, Tuta e, mais recentemente, o imaculável Obina.  Um cara desses vale ouro.

No fim, foi um baita jogo e o Fluminense mereceu a vitória. Nessas horas, quando a disputa é tão acirrada, vale mais a pena acreditar no placar final e pensar que, não importa o que, ganhou quem soube aproveitar melhor os detalhes e as pequenas oportunidades.

Pena que isso tudo foi só para perder da LDU no final.

Pedro

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Fla-Flu no calçadão de Ipanema

Maio 31, 2008 · 1 Comentário

Estava andando outro dia no calçadão em Ipanema, num domingo de feriado, quando vi uma cena que me chamou a atenção, pouco à minha frente: dois amigos, um deles torcedor do Flamengo e o outro torcedor do Fluminense, caminhavam juntos rumo ao Leblon. Na verdade, é uma coisa muito corriqueira pela Zona Sul, onde os dois clubes imperam nos corações dos locais – o Botafogo tem uma boa representação, mas você não teria certeza se o Vasco é um time carioca se julgasse apenas pela quantidade de fãs entre São Conrado e Catete, é um grupo muito mais presente na Zona Norte do Rio de Janeiro. O que me chamou a atenção foi como os dois garotos representavam perfeitamente toda a relação entre a dupla Fla-Flu, com todas as semelhanças e diferenças que definem essas duas entidades do futebol; se Henri Cartier-Bresson tivesse fotografado, seria considerada uma obra de arte.

A simetria era incrível. Os dois garotos, na casa dos 17 aos 21 anos, andavam paralelamente, no mesmo ritmo em passos diferentes, e tinham aproximadamente a mesma altura. Ambos estavam descamisados, mas com os mantos de seus times estendidos sobre um ombro: o tricolor, à esquerda, tinha a camisa do Flu sobre o ombro esquerdo, com o escudo sobre o peito; o rubro-negro deixou sua camisa no ombro direito, com o escudo sobre as costas. O flamenguista usava um boné desses de funkeiro/playboy, o fluminense deixou o cabelo curto moreno pegando vento. Ambos de bermudas, mas o tricolor usava tênis, relógio no pulso e celular na mão, enquanto o rubro-negro não tinha nada nas mãos e caminhava de Havaianas.

A primeira coisa que qualquer um nota é a óbvia diferença de estilo dos dois. Flamengo e Fluminense são ambos nascidos no coração da aristocracia carioca, na classe média-alta, mas seguiram caminhos opostos. O clube de Laranjeiras sempre reafirmou seus laços com a elite e nobreza, enquanto o Rubro-Negro da Gávea buscou a popularização. Sem entrar em méritos de quais métodos o Fla se utilizou para se tornar símbolo popular e paixão nacional, o clube, apesar de enraizado numa área caríssima, conseguiu crescer e se tornar um time de massa, enquanto os tricolores jamais largaram mão de seu status, mesmo quando afundou na segunda metade da década de 90. E os garotos traduzem isto perfeitamente: o tricolor é o playboy despreocupado, que gosta de ter seu relógio de pulso, tem seu celular na mão para resolver qualquer parada, quer mostrar o cabelo bem cortado pra mulherada e não deixa de andar com estilo no tênis. O flamenguista não nega ser playboy, mas é mais largado, anda de sandália mermo, quer ser um pouco mais “do povo”.

O que mais me chamou atenção foi a simetria e perfeição de como as camisas estavam colocadas. O escudo do FFC estava sobre o peito, porque o tricolor carrega o Fluminense no coração. O escudo do CRF estava do outro lado, sobre os deltoides posteriores, porque o rubro-negro carrega o Flamengo nas costas.

Eu não quero insinuar que o flamenguista não seja completamente apaixonado pelo seu time, de jeito nenhum, porque eu amo essa camisa até o fundo da minha alma. Mas o tricolor é um passional muito diferente do que o rubro-negro; como foi dito por toda minha vida, o tricolor é um verdadeiro sofredor. Pense nas conquistas do Fluminense nas últimas duas décadas: dois títulos cariocas conquistados com gols no finalzinho (excluindo o título de 2002 que foi de menor expressão) e uma Copa do Brasil com empate no Maracanã e vitória suadíssima por 1 a 0 sobre o Figueirense em Santa Catarina. Até a vitória da semana retrasada sobre o São Paulo, nas quartas-de-final da Libertadores, foi com gol quase nos acréscimos. E a torcida foi junto ao time em sua decadente saga à Terceira Divisão, com muito choro, sofrimento e dedicação. Cresci rodeado (infelizmente) por tricolores em minha família e sei como foi o sofrimento. São torcedores que se entregam ao seu time…

…Mas amor é algo que nem sempre é correspondido. O Flu às vezes parece não responder aos clamores de sua torcida, uma das mais incansáveis do Maracanã. Sua indiferença crônica de elite muitas vezes interrompe o elo entre gramado e arquibancadas, o que é um triunfo quando o time joga fora de casa, mas cria problemas quando o adversário é melhor. E é aí que reside a diferença essencial para o Rubro-Negro, que vai aonde a torcida lhe levar.

Quando a torcida está determinada, o Flamengo é capaz de mover montanhas. Isso ficou claro com a campanha do time no Brasileiro do ano passado, quando nós – a Nação – nos juntamos estrategicamente para carregar o time a partir de seu retorno à casa, após mais de um mês de férias pelo Brasil por causa do Pan, para fora da zona de rebaixamento e de volta à relevância. Outros torcedores não entendem, desdenham como invenção midiática, mas era preciso estar lá no Maracanã para entender como 30, 40, 50, 60 mil torcedores conseguiram tornar um time limitado em vencedor e dar aquele empurrãozinho extra em muitas vitórias apertadas contra adversários melhores.

E ficou mais claro ainda na humilhação, neste ano; a eliminação nas oitavas da Libertadores frente ao América do México. Se a torcida está feliz e ultra-confiante, se instala o oba-oba, e o time vai junto. Logo o Maraca está cheio de visitantes de primeira viagem, o elenco e comissão técnica têm novos amigos que lhes consideram o máximo, acham que eles são foda e merecem sair mais na night, curtir a madrugada inteira, não precisam levar os treinos tão a sério, e é só aparecer no jogo que a vitória vem. Exceto que o outro time se preparou o ano inteiro pra isto, não estaria aqui se fosse ruim e sabe que tem que jogar tudo para bater o Flamengo, que esquece que, sem preparação, não vai ganhar.

Apesar de todas essas diferenças, os dois torcedores andavam juntos. Como poderiam estar separados? A história de Fla-Flu está eternamente interligada, desde a época em que remadores do Clube de Regatas representavam o Football Club, passando pela dissidência dos 10 campeões tricolores para formar o time de futebol rubro-negro, que perdeu o primeiro confronto com seu ex-clube na história, e indo além, com a eternização do Clássico das Multidões através dos irmãos Mário Filho (rubro-negro) e Nelson Rodrigues (tricolor), a eterna corrida pelos títulos cariocas, o gol de barriga de Renato Gaúcho em 95, as derrotas do Flamengo que selaram o duplo rebaixamento tricolor em 96 e 97 e os clássicos pós-rebaixamento que ajudaram o Fluminense a se reerguer no cenário carioca e nacional.

A cena se interrompeu quando uma bela menina – gostosa mesmo, daquelas que você só encontra andando na pista fechada de domingo no Leblon, ouvindo iPod com roupa de academia e cagando cheiroso pro resto do mundo – passou à frente da dupla, e ambos viraram os rostos em admiração. O troféu que encanta os dois, mas que pode tanto ser de um deles quanto de vários outros times, como meu, por exemplo. Foi neste momento que cessei de observar para apreciar minha nova vista. Sabe como é, fotografias de Bresson são geniais e oportunistas, mas esculturas às vezes são muito mais interessantes.

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Quem tem Boca vai…

Maio 23, 2008 · 1 Comentário

O Fluminense não queria o Riquelme?? Tá aí o que você queria!!!

Dizem que alegria de pobre dura pouco, mas a alegria da aristocracia tricolor durou só 23 horas… Foi o tempo que demorou para eles perceberem que iam pegar o Boca Juniors nas semifinais da Libertadores.

Agora, eu não sei se torço para eles caírem frente ao Boca, o que não seria vergonha nenhuma e dependendo de como for o jogo, eles ainda podem alegar que poderiam ter chegado mais longe (o que não adianta de nada, se poder chegar mais longe fosse alguma coisa o Botafogo era o melhor time do mundo), ou se prefiro que eles derrotem o Boca, encham-se de moral e esperança, e sejam derrubados pelo destruidor, o matador, o verdadeiro fofômeno, Salvador “Guloso” Cabañas!!!

E bem, se o impensável acontecer e o Flu conseguir superar ambos estes gigantes do futebol latino-americano, aí eu deixo a rivalidade de lado, congratulo, me junto à festa e vou catar umas gatas tricolores pela rua… Afinal, depois que o “outro” fofômeno foi pego usando o manto com “raça”, “amor” e “paixão”, a gente tá precisando melhorar nossa moral.

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rodada dupla

Maio 22, 2008 · 2 Comentários

* Final de Champions League com gostinho de Libertadores. O futebol agradece. Mas, olha, foi difícil aturar a Ana Paula Oliveira comentando na Record e pedindo cartão – amarelo, vermelho, de crédito, o que for – para tudo. Abaixo o futebol-de-executivo, pelamordedeus. Final tem que ter catimba, expulsão e bate-boca, senão não tem graça. Mas pior ainda foi o infeliz do narrador, que passou o jogo inteiro aos berros, anunciando toda hora que aquilo era um GRANDE JOGO, que era um JOGO HISTÓRICO, que era um GRANDE ESPETÁCULO etc etc. A Record me fez sentir saudades da dupla Luiz Roberto/Sérgio Noronha…

* Podem atirar pedras: confesso que torci para o Fluminense. Esse time do São Paulo é insosso demais. O Muricy tem mil méritos, entre eles o de manter um time super competitivo mesmo tendo perdido tanta gente nos últimos anos…só que depois que o Adriano for embora o São Paulo vai virar mingau. Enfim, o Fluminense jogou tipo o Flamengo nos bons momentos: com garra. Correu, brigou, fez umas boas jogadas. Eu estava com medo de um jogo anti-climático depois do Chelsea x Manchester, mas não foi nada disso.

* O Cristiano Ronaldo nem fez uma daquelas partidas sensacionais, mas dá para ver como o cabra é bom. Domina, dribla, passa, faz tudo. Os bons lances do Manchester foram com ele. A cabeçada do gol foi linda (destaque para o cruzamento, de perna esquerda, do lateral direito Brown). O Manchester mandou no primeiro tempo e devia ter matado o jogo. O Chelsea achou um gol – Essien chuta, bola desvia, goleiro escorrega, Lampard agradece. No segundo tempo, o Chelsea mudou tudo e só não ganhou porque é um time que corre muito, tem uma defesa impressionante, troca bons passes, mas, no fundo, é medíocre. Não tem ninguém que seja capaz de dar um drible. Levou azar? Levou, mandou duas bolas na trave e tudo mais. Mas o mundo ia ser um lugar pior se o Chelsea fosse campeão porque tem uma defesa com cramulhão na garrafa.
* O melhor em campo, para mim, foi o Conca. Contei uns 4 ou 5 passes/lançamentos muito bons dele, inclusive o que deu origem ao gol do Dodô. Ainda mandou uma bola na trave no primeiro tempo; no rebote o Thiago Neves, sozinho, cabeceou para fora. O único problema do Conca é que ele devia chamar mais o jogo para si, pedir a bola, assumir o comando. Mas deve ser difícil fazer isso num time que já tem “dono”. Só que enquanto o Thiago Neves prendia a bola demais e errava a maior parte das jogadas, o Conca era muito mais eficiente.

* Eu defendo a tese de que o futebol europeu é uma fraude. Defendo mesmo. Nenhum desses times está com essa bola toda. Mas eu admito: impressiona a correria e o toque de bola das equipes inglesas de ponta. Drible que é bom, nada, mas correm muito, marcam muito e tocam rápido.

* O Aloísio fez uma jogada linda no gol do Adriano, mas, no fim, ficou faltando o gol incrível que ele perdeu cara a cara com o Fernando Henrique. E o Washington? Eu não queria ele no Flamengo, mas o cara tem estrela. Achou um gol de bobeira no início e acertou uma cabeçada bonita nos acréscimos.

* O Cristiano Ronaldo foi muito bem no início, sumiu no segundo tempo. O Tevez, no entanto, errou tudo o tempo todo. Eu teria tirado ele e não o Rooney. Pelo menos marcou o pênalti. Não sei, o que pega no Manchester é que os laterais são fracos. O tal do Brown cruzou bonito no gol, mas apóia pouco e é mais zagueirão. O Evra não teria lugar nem no Flamengo (embora quase tenha criado um golzinho salvador). Sou mais o Juan. O problema é que só ele encostava no Cristiano Ronaldo.

* O Adriano é – ou pelo menos está – melhor que o Drogba. Mas apareceu pouco hoje. Foi oportunista e fez o gol, mas é pouco. O São Paulo é muito burocrático. Está longe de ser meu favorito para o Brasileirão. O Palmeiras mesmo é bem melhor.

* Eu não entendo essa coisa de botar jogador no último segundo só para bater pênalti. Parece-me uma estupidez pura. O cara entra descansado demais, fora do ritmo do jogo, meio frio, com uma responsabilidade muito maior do que a dos outros. Não tem a desculpa do cansaço nem nada. Entra numa história que não é a dele e com a obrigação de dar o final feliz. Deu certo hoje, mas eu jamais faria isso.

* Boca Juniors campeão Libertadores 2008. Está escrito.

* E o nosso Sporto do grande Carlinhos BALLACK, hein? Mal sabiam os vascaínos que um dia iam olhar para todos os vice-campeonatos e pensar que aquela fora sua ERA DE OURO.

Pedro

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