melhor que o eto’o (e quem não é?)

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3 x 1

Julho 5, 2008 · Deixe um comentário

3 a 1. Um placar tão comum no futebol – não tão comum quanto o 2 a 1, talvez, mas 3 a 1 é um placar bastante comum no futebol sim. Que o diga os tricolores cariocas, que o viram acontecer duas vezes na quarta-feira: 3 a 1 para eles no tempo normal, nos 90 e poucos minutos de jogo, e 3 a 1 para a LDU nos pênaltis, decretando um título da Copa Santander Libertadores que poderia ter ido para ambos os lados e seria justo do mesmo jeito. Só que o 3 a 1 foi muito mais do que um resultado duplo num dia de decisão; para o Flu, 3 a 1 definiu toda a temporada 2008 até o momento.

Tudo começou ainda em janeiro, quando eram 3 atacantes a 1 time titular. O Flu começou a temporada contratando um trio de atacantes de fazer inveja a qualquer clube: Washington, Dodô e Leandro Amaral. Talvez por isso, a imprensa tenha caído em cima – sabe-se muito bem que a maior parte dos jornalistas cariocas torce para o Flamengo, o que embora os torcedores rivais ergam como uma grande conspiração que se transformou na famigerada “FlaPress”, é apenas uma reflexão da sociedade carioca, em que a maioria também é rubro-negra. Se essa característica realmente se deixa transparecer por sobre o discurso de imparcialidade, não cabe neste texto discutir, mas não custa levantar a possibilidade que os flamenguistas das redações, temerosos com seu time que também disputaria a Libertadores, convenceram os coleguinhas de outros times que a formação do Flu não daria certo, e que a equipe estava fadada a falhar.

De 3 atacantes a 1 atacante só. A formação, de fato, teve poucas boas partidas juntos, e o consenso geral era que o técnico Renato Gaúcho precisava colocar um deles no banco. Mas qual? A Justiça fez o favor de livrar Renato de fazer uma escolha, ao impedir Leandro de jogar e mais tarde, reclamá-lo ao Vasco após uma série de liminares, acusações, promessas e lamentações. Em seguida, Dodô sofreu uma lesão bizarra, um afundamento na face, que o afastou dos campos e forçou o técnico tricolor a ir à guerra apenas com Washington na frente. Cícero foi colocado ao lado do centroavante como atacante, mas todos sabiam que Cícero era um 3 em 1 encarnado: meio-atacante, meio-volante, meio-tudo que o Nense precisasse.

De 3 competições a 1 só. Para a primeira metade de 2008, o Flu estava programado para disputar três competições: o Carioca, a Libertadores e o Brasileiro. Porém, o foco era chegar a um torneio que o time não estava nem inscrito ainda, o Mundial Interclubes da Fifa, troféu mais cobiçado pelos torcedores brasileiros. Para isso, porém, os tricolores abdicaram dos outros campeonatos que disputaram. Após dar bobeira e jogar mal a semifinal da Taça Guanabara, o time poupou seus titulares por boa parte da Taça Rio, chegou à decisão aos trancos e barrancos – vencendo uma decisão por pênaltis com o Vasco na semifinal – e jogou distante, com a cabeça na Libertadores, na final contra o Botafogo. Conforme foi avançando, o Flu também resolveu deixar o Brasileirão de lado e só escalar reservas. A Libertadores virou obsessão, obrigação, ocupação.

3 a 1 São Paulo. As quartas-de-final da Libertadores guardavam um confronto com o Tricolor mais bem-sucedido do país, o paulista. O atual campeão brasileiro venceu em Sampa por 1 a 0, e após marcar um gol no Maracanã, deixou ao Fluminense apenas uma opção: vencer por dois gols de diferença ou ir embora da Libertadores. Dodô marcou imediatamente e Washington acabou com o sufoco com um gol a três minutos do fim. Uma vitória de superação, para dar moral, rumo às semifinais.

3 a 1 Boca Juniors. Desta vez, o time já havia empatado contra os argentinos na primeira partida das semifinais, em Buenos Aires, e quem vencesse no Rio, levava. Os hermanos saíram na frente, mas a virada veio logo em seguida. O terceiro gol não era necessário, mas surgiu nos minutos finais, do pé de Dodô, para afastar de vez o fantasma do “matador de brasileiros”, o temido Boca, e dar a impressão que um novo time estava prestes a entrar na galeria de gigantes do país e do continente, junto ao Flamengo de 81, o Grêmio de 83, o São Paulo de 93, o Vasco de 98, o Palmeiras de 99, o Inter de 2006, entre vários outros.

3 semanas a 1 decisão. Após a vitória emocional e efusiva sobre o Boca, o Fluminense se viu obrigado a esperar mais 21 dias para disputar os jogos que esperava disputar desde 6 de junho de 2007, quando levou a Copa do Brasil e se garantiu na Libertadores. O calendário previa duas semanas de “datas Fifa”, que significam jogos de seleções nacionais e folgas para os clubes. Tempo suficiente para aumentar as expectativas, ampliar ainda mais o nervosismo e as pressões, desconcentrar-se, reconcentrar-se, perder-se e reencontrar-se. E se as finais tivessem acontecido logo na semana seguinte à semifinal? Será que o Fluminense seria derrotado, com tanta moral? Será que a LDU ou qualquer outro time seria capaz de evitar uma avalanche tricolor?

Quando Campos marcou 3 a 1 para a LDU, aos 32 minutos do primeiro tempo do primeiro jogo da decisão, notou-se que a avalanche tinha caído na cabeça do Flu. O primeiro tempo terminou 4 a 1, mas naquele gol de cabeça de Campos, em falha de marcação dos tricolores na cobrança de escanteio, já ficou claro que aquele não era o mesmo Nense das duas fases anteriores, e ficou a impressão de que os equatorianos podiam, sim, ser campeões. Meu irmão, sempre confiante na tradição tricolor de dramatizar toda e qualquer conquista e vencer na superação, se disse despreocupado e sorria, desafiador, antes mesmo de Thiago Neves reduzir para 4 a 2 e de Renato garantir, para todo mundo ouvir em coletiva de imprensa, que seu time se sagraria campeão no Rio de Janeiro. Eu, da minha parte, raramente acerto, mas desta vez, os resultados anteriores eram suficientes para que cravasse: será outro 3 a 1, e a coisa vai pegar na prorrogação.

3 gols a 1 jogador. Na verdade, foi a isso que se resumiu a vitória tricolor na última quarta no Maracanã: uma apresentação magnífica de Thiago Neves, o “Hat Trick Hero” da noite, como nos ensinou o Fifa Soccer nos anos 90. O resto do Flu foi bravo, lutou, jogou, se entregou, mas nada conseguiu. Repentinamente, as 3 opções de Renato para o ataque – Washington, Cícero e, a partir do segundo tempo, Dodô – não conseguiram marcar 1 gol do título.

3 erros capitais de marcação a 1 árbitro: o péssimo Hector Baldassi, que deixou de marcar um pênalti para o Flu, apontou impedimento inexistente de Cícero quando este estava de cara com o goleiro e, no final da prorrogação, anulou gol legítimo de Bieler, da LDU.

3 a 1 nos pênaltis. Thiago Neves quase mudou a história, mas o goleiro Cevallos catimbou, conseguiu que o juiz anulasse a cobrança certeira do meia, e pegou com o pé a segunda tentativa, já nervosa, apressada e prejudicada. Neves foi condenado ao seu próprio 3 a 1, de 3 gols a 1 pênalti perdido. E na baliza em que aconteceu a disputa, o Flu tem agora desvantagem de 3 a 1 em pênaltis: foi lá que perdeu para o Corinthians em 1976, para o Flamengo em 2001 e agora para a LDU, e foi na mesma trave que derrotou o Vasco na Taça Rio deste ano.

3 tempos disputados contra 1 apagão. Essa foi a justificativa dada pela maioria dos analistas para a derrota. Afinal, se apagado o primeiro tempo do primeiro jogo, o Flu venceu por 4 a 1 os três tempos seguintes. Mas não foi só isso. A LDU jogou à altura da decisão e levou perigo ao anfitrião neste segundo jogo, tanto no tempo regulamentar quanto na prorrogação. Os cariocas cumpriram seu papel, jogaram o que puderam, fizeram o melhor que sabiam com as ferramentas e situações que receberam, e perderam em uma disputa que nunca tem favoritos e que pode pender para qualquer lado dependendo do dia. Pênalti não é loteria, mas é preparo físico, mental, emocional, concentração, percepção espacial, interpretação, compreensão, geometria, física… Muito mais do que simplesmente um jogador contra um goleiro.

De 3 competições a 1 só. O Fluminense está de volta ao Brasileiro, onde tem três concorrentes à sua frente – Santos, Goiás e Ipatinga – juntos na zona de rebaixamento, com oito rodadas passadas. O primeiro time fora da zona, Botafogo, tem quase três vezes seu total de pontos – 8 contra 3. Para chegar à zona de classificação da Libertadores, para onde o Tricolor quer voltar no ano que vem, são 13 pontos atrás do quarto colocado, Palmeiras. Ainda restam 30 jogos, e como o Flamengo provou no ano passado, há muito tempo para arrancar e chegar nos times de frente da tabela. É só o Fluminense colocar os 3 a 1 para funcionar a seu favor novamente.

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Perguntar não ofende, né?

Junho 25, 2008 · Deixe um comentário

Considerando que metade dos ingressos pra Flu x LDU, jogo de volta, ficaram nas mãos de cambistas, vão sair a 200 reais a meia e muitos tricolores não poderão entrar no Maracanã, é justo que a torcida tricolor cante “urubu cuzão, chegou a hora de assistir televisão!”?? Metade da torcida deles também vai ter que ver pela TV… e a maioria dos torcedores do Fla nem tem TV, tem que ouvir no radinho…

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é o jeito: a ldu é o brasil na libertadores

Junho 5, 2008 · 2 Comentários

O Fluminense ameaçou amarelar, depois lembrou que isso é coisa do Botafogo e sapecou 3 a 1 no Boca. Acabou sendo justo.

O Boca tem um baita time para os padrões sul-americanos: poucos chutões para o alto, toque de bola melhor do que qualquer brasileiro (e ontem, com o campo enorme do Maracanã, eles acertaram uns passes que deram aperto no coração), três jogadores acima da média (apesar de o Riquelme ter sumido no segundo tempo e o Palácio nem ter aparecido para jogar) etc etc. Estaria entre os favoritíssimos caso disputasse o Brasileirão.

Só que deu Fluminense. E não adianta reclamar que foi sorte, que o Fernando Henrique agarrou como um pai de santo nos dois jogos. (Até onde eu sei, goleiro faz parte do time, ué) Também não adianta falar que o Boca dominou a posse de bola e criou muito mais chances. (Esse jogo redimiu o chavão-mor de que quem não faz, toma). É verdade que o Thiago Neves sumiu de novo, que o Conca fez um gol mandrake em uma jogada em que ele tinha feito tudo errado… Até pode-se dizer que aquele gol de falta do Washington foi um prenúncio do apocalipse. Mas o fato é que, depois do empate, o Boca se mandou para o ataque como se não houvesse amanhã e, a partir daí, quem mais criou oportunidades foi o Fluminense. Foram pelo menos uns 5 contra ataques com chance clara e até bola na trave. Só o Dodô perdeu uns dois gols moles moles. Mas ele é o único que não dá para culpar: sofreu a falta do primeiro gol, deu o passe do segundo e fez aquela belezura no terceiro. Mudou o jogo. Fora o drible 360 a la Winning Eleven que ele deu. Homem do jogo…

Ok, talvez não seja o homem do jogo. Isso porque o momento crucial foi o gol do Washington. O infeliz vinha jogando muito mal – tropeçando na bola, incapaz de dar um drible, caindo para cavar falta etc etc. Mas fez aquele gol e obrigou todo mundo a concordar que ele é iluminado. Eu ainda não sei se ele é um dos piores super artilheiros do Brasil ou um dos melhores pernas de pau.

O que eu sei é que ele faz parte de uma linhagem clássica do futebol brasileiro, que vem desde o Fio Maravilha nos anos 70 e que, nos últimos 15 anos, gerou pérolas como Túlio, Jardel, Oséas, Tuta e, mais recentemente, o imaculável Obina.  Um cara desses vale ouro.

No fim, foi um baita jogo e o Fluminense mereceu a vitória. Nessas horas, quando a disputa é tão acirrada, vale mais a pena acreditar no placar final e pensar que, não importa o que, ganhou quem soube aproveitar melhor os detalhes e as pequenas oportunidades.

Pena que isso tudo foi só para perder da LDU no final.

Pedro

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e o boca continua sendo o brasil na libertadores

Maio 29, 2008 · 1 Comentário

O Fluminense deve estar rindo até agora. O time jogou direitinho, mas tomou um sufoco do Boca e, se não fosse por umas duas ou três defesas do Fernando Henrique, a vaca tinha ido para o brejo. Só que eles conseguiram manter a calma – depois do primeiro gol eu achei que ia ser uma lavada – e ainda descolaram um empate em um frangaço que jamais aconteceria em La Bombonera. Mérito para o Thiago Neves, que arriscou e marcou.

Mais do que o resultado, o Fluminense provou aquilo que todo mundo já vinha dizendo: esse Boca está longe de ser imbatível. O Riquelme sabe tudo e foi decisivo, o tal do Palácio sempre leva perigo e o Palermo é o Kléber Pereira deles. Mas o resto do time parece estar bem abaixo dos três. Faltam jogadas pelas laterais; os alas são muito fracos ofensivamente, não driblam, não ganham na velocidade e não cruzam bem. Os apoiadores Datolo e Chaves são apenas decentes. O resultado é que o time depende muito das tabelas rápidas com o Riquelme pelo meio (e fez um gol bem bonito assim) e de um toque de bola que é ótimo quando é para administrar uma vantagem mas que não é tão objetivo quando precisam marcar gols.

Ainda assim, para o padrão sul-americano, é um bom time. Só que – é preciso admitir – até o Fluminense também o é. Conca e Thiago Neves devem ser a melhor dupla de meio-campo das Américas. Acho até que se o time tivesse ficado mais à frente e tentado atacar mais eles não teriam tomado aquele sufoco no início do 2o tempo.  Talvez eu seja muito idiota, mas eu juro que não entendo isso de jogar para empatar fora de casa. Pelas regras, a melhor coisa é jogar para marcar o maior número possível de gols. Quanto mais recuarem, mais sufoco vão tomar. Foi o que aconteceu. Nem o Palermo nem o Riquelme têm velocidade: por que não adiantar a marcação e tentar levar o jogo para o campo do adversário? Não sei. Eu simpatizo com o Renato, mas ele tem uns momentos Ney Franco que sei lá, hein.

Deixa quieto. Boca 2 a 0 semana que vem.

Pedro

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sobraram quatro

Maio 24, 2008 · 3 Comentários

LDU e América, Boca e Fluminense.

Se o América vence, a Libertadores fica desmoralizada. Primeiro, porque o time é medíocre, sabe que é medíocre e joga um futebolzinho para lá de maroto. Mas até aí tudo bem, dá até para simpatizar. Só que ia ser o fundo do poço deixar um time mexicano ganhar e ter que mandar o VICE para Tóquio.

Só que a LDU não tem nenhum carisma.

E Boca e Fluminense? Olha, com todo o respeito, essa é a hora ideal para o tricolor honrar sua tradição e tremer nas bases diante dos argentinos.

O Boca, aliás, tem uma característica fantástica: no mundo inteiro é o clube que melhor conseguiu articular a dinâmica de raízes locais específicas + apelo de massa. Isso porque continua, como sempre, identificadíssimo com a Boca, com o bairro. Por outro lado, faz essa identificação com o bairro operário-popular extrapolar o limite local para se definir, contra os “milionários” do River Plate, como um clube de massa, popular. E, olha, essa combinação bem-sucedida local/global não é pouca coisa não. Graças a isso o time consegue se estabelecer enquanto “marca” mundial – quem, nas Américas, não conhece e não teme o Boca? – sem ficar pasteurizado, isto é, sem virar pura marca, sem perder aquilo que dá sentido a tudo isso.

[Convenhamos: hoje em dia torcer para um Real Madrid, Manchester ou Chelsea parece ser a mesma coisa que torcer pela IBM ou pela Volkswagen. Não é muito do meu feitio ficar reclamando do aburguesamento do futebol europeu, mas essa coisa de ingressos cada vez mais caros, estádio com hotel e entretenimento do tipo disney etc etc é justamente a vitória dos negócios sobre a paixão. E, sinceramente, eu prefiro o futebol versão Obina do que o futebol versão Beckham...]

Enfim, isso tudo é só para dizer o óbvio: agora o Boca é o Brasil na Libertadores.

Pedro

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rodada dupla

Maio 22, 2008 · 2 Comentários

* Final de Champions League com gostinho de Libertadores. O futebol agradece. Mas, olha, foi difícil aturar a Ana Paula Oliveira comentando na Record e pedindo cartão – amarelo, vermelho, de crédito, o que for – para tudo. Abaixo o futebol-de-executivo, pelamordedeus. Final tem que ter catimba, expulsão e bate-boca, senão não tem graça. Mas pior ainda foi o infeliz do narrador, que passou o jogo inteiro aos berros, anunciando toda hora que aquilo era um GRANDE JOGO, que era um JOGO HISTÓRICO, que era um GRANDE ESPETÁCULO etc etc. A Record me fez sentir saudades da dupla Luiz Roberto/Sérgio Noronha…

* Podem atirar pedras: confesso que torci para o Fluminense. Esse time do São Paulo é insosso demais. O Muricy tem mil méritos, entre eles o de manter um time super competitivo mesmo tendo perdido tanta gente nos últimos anos…só que depois que o Adriano for embora o São Paulo vai virar mingau. Enfim, o Fluminense jogou tipo o Flamengo nos bons momentos: com garra. Correu, brigou, fez umas boas jogadas. Eu estava com medo de um jogo anti-climático depois do Chelsea x Manchester, mas não foi nada disso.

* O Cristiano Ronaldo nem fez uma daquelas partidas sensacionais, mas dá para ver como o cabra é bom. Domina, dribla, passa, faz tudo. Os bons lances do Manchester foram com ele. A cabeçada do gol foi linda (destaque para o cruzamento, de perna esquerda, do lateral direito Brown). O Manchester mandou no primeiro tempo e devia ter matado o jogo. O Chelsea achou um gol – Essien chuta, bola desvia, goleiro escorrega, Lampard agradece. No segundo tempo, o Chelsea mudou tudo e só não ganhou porque é um time que corre muito, tem uma defesa impressionante, troca bons passes, mas, no fundo, é medíocre. Não tem ninguém que seja capaz de dar um drible. Levou azar? Levou, mandou duas bolas na trave e tudo mais. Mas o mundo ia ser um lugar pior se o Chelsea fosse campeão porque tem uma defesa com cramulhão na garrafa.
* O melhor em campo, para mim, foi o Conca. Contei uns 4 ou 5 passes/lançamentos muito bons dele, inclusive o que deu origem ao gol do Dodô. Ainda mandou uma bola na trave no primeiro tempo; no rebote o Thiago Neves, sozinho, cabeceou para fora. O único problema do Conca é que ele devia chamar mais o jogo para si, pedir a bola, assumir o comando. Mas deve ser difícil fazer isso num time que já tem “dono”. Só que enquanto o Thiago Neves prendia a bola demais e errava a maior parte das jogadas, o Conca era muito mais eficiente.

* Eu defendo a tese de que o futebol europeu é uma fraude. Defendo mesmo. Nenhum desses times está com essa bola toda. Mas eu admito: impressiona a correria e o toque de bola das equipes inglesas de ponta. Drible que é bom, nada, mas correm muito, marcam muito e tocam rápido.

* O Aloísio fez uma jogada linda no gol do Adriano, mas, no fim, ficou faltando o gol incrível que ele perdeu cara a cara com o Fernando Henrique. E o Washington? Eu não queria ele no Flamengo, mas o cara tem estrela. Achou um gol de bobeira no início e acertou uma cabeçada bonita nos acréscimos.

* O Cristiano Ronaldo foi muito bem no início, sumiu no segundo tempo. O Tevez, no entanto, errou tudo o tempo todo. Eu teria tirado ele e não o Rooney. Pelo menos marcou o pênalti. Não sei, o que pega no Manchester é que os laterais são fracos. O tal do Brown cruzou bonito no gol, mas apóia pouco e é mais zagueirão. O Evra não teria lugar nem no Flamengo (embora quase tenha criado um golzinho salvador). Sou mais o Juan. O problema é que só ele encostava no Cristiano Ronaldo.

* O Adriano é – ou pelo menos está – melhor que o Drogba. Mas apareceu pouco hoje. Foi oportunista e fez o gol, mas é pouco. O São Paulo é muito burocrático. Está longe de ser meu favorito para o Brasileirão. O Palmeiras mesmo é bem melhor.

* Eu não entendo essa coisa de botar jogador no último segundo só para bater pênalti. Parece-me uma estupidez pura. O cara entra descansado demais, fora do ritmo do jogo, meio frio, com uma responsabilidade muito maior do que a dos outros. Não tem a desculpa do cansaço nem nada. Entra numa história que não é a dele e com a obrigação de dar o final feliz. Deu certo hoje, mas eu jamais faria isso.

* Boca Juniors campeão Libertadores 2008. Está escrito.

* E o nosso Sporto do grande Carlinhos BALLACK, hein? Mal sabiam os vascaínos que um dia iam olhar para todos os vice-campeonatos e pensar que aquela fora sua ERA DE OURO.

Pedro

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garfaram o Santos

Maio 16, 2008 · Deixe um comentário

Eu fiquei com tanta raiva do América do México que decidi até torcer para eles na Libertadores. Tudo bem, o time é irritante porque é fraco, meio mambembe, mas não totalmente idiota e incompetente. E é preciso reconhecer que pelo menos hoje contra o Santos eles jogaram bem melhor do que na primeira partida contra o Flamengo.

O tal do Cabañas é terrível. O que ele tem de gordo tem de eficiente. No primeiro gol, foi oportunista: aproveitou a bobeada da zaga, que marcou só a bola e deixou ele livre, dominou bonito e mandou para o gol. O segundo gol, então, foi uma beleza. O lançamento foi perfeito, a matada no peito melhor ainda – amorteceu a bola e já botou na frente, na medida. Faltou a perna esquerda, só que ele teve a manha de chutar meio esquisito mas conseguindo tirar bem do goleiro.

Mas foi só isso mesmo. O time do Santos é tão mambembe quanto o do América, mas conseguiu se recuperar um pouco do gol e voltou a controlar a posse de bola. Se o infeliz do Lima não tentasse chutar todas as bolas que passavam pelo pé dele talvez os santistas até tivessem a possibilidade do empate. Mas faltou jeito, faltou técnica.

De todo modo, 2 a 0 estava exagerado. E, bem no finzinho, o Santos fez o que sonhava: Kléber Pereira tabelou bonito com o tal do Tripodi, ficou cara a cara, deu um drible sensacional no Ochoa (que, diga-se de passagem, é um bom goleiro e fez uma baita defesa num chute de fora da área do Rodrigo Souto) e marcou. Só que o juiz ficou animado e decidiu marcar também. Inventaram um impedimento absurdo, o jogo terminou 2 a 0 mesmo e agora o Santos vai ter que ralar. Não levo fé não. O América não vale dois tostões, mas o Cabañas é parrudo, eficiente, sabe dar trombada em zagueiro e pode muito bem marcar unzinho na Vila Belmiro. E aí, amigo, já era.

P.S.: O Flamengo – que, reza a lenda, vendeu 90% dos direitos do Pedro Béda, que jogou muito bem na Taça São Paulo – bem podia contratar um Kléber Pereira da vida. Que inveja. Eu simpatizo com o Souza, mas ele, que terminou bem o ano passado, caiu muito de produção nas últimas semanas. O Kléber Pereira não tem nada de especial, mas é um bom jogador. O Obina até lembra um pouco ele; se bem que, na verdade, o Obina é um Kléber Pereira do Mundo Bizarro. Os dois têm o mesmo estilo, mas o santista é mais magro, mais rápido, mais habilidoso. E deve comer menos acarajé.

Pedro

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flamengo, que flamengo?

Maio 8, 2008 · Deixe um comentário

Essa foi a derrota mais sobrenatural que eu já vi. E foi também a redenção de todos os clichês do futebol, de toda aquela lenga-lenga sobre comemorar antes do tempo, menosprezar o adversário e tudo mais.

E foi tudo isso e também não foi. Não adianta dizer que faltou concentração, que o time estava relaxado ou o quê. Nada disso causou a derrota. E também não adianta dizer que foi tudo junto, porque se é tudo, então é porque não é nada.

Mesmo com 2 a 0 eu continuava achando impossível o Flamengo perder. Errei feio. É que o jogo simplesmente não existiu. O Flamengo chutou mais, dominou a posse de bola, entrou em campo parecendo que ia golear. O América melhorou muito ao longo do tempo, principalmente na marcação. Mas é um time horroroso. O gorducho de bigode lá é um jogador decente e olhe lá. Sabe dar tranco nos zagueiros e prende bem a bola. Mas é só.

Essa foi a pior partida que o Souza fez pelo Flamengo. Pior. Coisa horrorosa. Não só perdeu vários gols como ainda matou um monte de jogadas por estar impedido. Foi grotesco.

E por quê o Bruno ainda tem tanta credibilidade com a torcida? Ele sai mal do gol e tem falhado cada vez mais. Um frango ridículo quase complicou tudo na final do Estadual. E o golpe de vista no primeiro gol do América? O Cabañas deu um chutão pro alto, de fora da área, sem nenhum efeito mirabolante…. e o Bruno tava absurdamente mal posicionado. Aceitou.

E o tal do Leonardo? No Carioca, na primeira partida em que ele jogou ele tratou de fazer um pênalti, contra o Mesquita ou Resende ou algo do tipo. Ontem ele estava tão fora de posição no segundo gol do América – aliás, o Léo Moura também estava, mas o propósito de escalar o Jaílton não é justamente para liberar os laterais? – que deu até dó. Nulidade absoluta.

E o Kléberson? E o Ibson? Jogador não desaprende a jogar. O Joel não conseguiu descobrir o que fazer com o primeiro e nem deu jeito na má fase do segundo. Alguma coisa está errada aí.

E mesmo assim…esse jogo foi pior do que a derrota para o Santo André em 2004. Uma coisa é perder de 1 a 0 num puro acaso e por falta de “raça”. Outra coisa é tomar três gols e não conseguir fazer nenhum contra um time que não dominou o jogo em nenhum momento, que nunca pressionou de verdade e que não fez qualquer ousadia.

É até desnecessário procurar qualquer “causa”. Qualquer detalhezinho provavelmente teria mudado tudo. Se o Joel fosse menos tosco e tentasse conhecer melhor o América e tivesse feito uma marcaçãozinha mais forte no Cabañas tudo ficaria bem. Se o Souza jogasse um pouquinho melhor ontem – e olha que não é tão difícil, ele foi muito bem na arrancada do Flamengo no Brasileirão… Se o juiz tivesse expulsado aquele zagueiro que fez uma falta ridícula no Obina (e era o último homem)… Se não tivesse oba-oba, se o Fábio Luciano tivesse jogado, se o Toró não tivesse dado o cutucão que gerou a falta do terceiro gol, aliás, se a bola não tivesse desviado na barreira…

É. Deus dá com uma mão e tira com outra.

É isso aí,

Pedro.

p.s.: não, eu não sei como adicionar a autoria a cada post. Alguém pode ajudar?

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coisas sem sentido #1

Maio 7, 2008 · Deixe um comentário

  • Times que disputam a Libertadores não jogarem a Copa do Brasil. Tudo bem, poderia ser complicado organizar o calendário para conciliar Copa do Brasil, Libertadores, Estaduais e Campeonato Brasileiro. Mas custava tentar? Reduz o Brasileirão um pouquinho, encurta os Estaduais etc etc. Do jeito que está, é o pior dos mundos: desvaloriza a Copa do Brasil e tira uma fonte de renda dos clubes que estão na Libertadores. Garanto que o pessoal que pede pela volta do mata-mata no Brasileirão ia se acalmar um pouquinho se a Copa do Brasil – que é, por definição, uma grande celebração do mata-mata – incluísse todos os grandes times.
  • O Cuca levar um banho do Joel nos dois jogos das finais do Estadual e mesmo assim ser eleito melhor técnico do Rio. O Joel fez a mesma coisa nos dois jogos: botou mais dois atacantes, recuou os cabeças de área e passou a jogar no contra-ataque e na velocidade. Nos dois jogos, o Flamengo roubou mil bolas na intermediária e criou um milhão de chances de gol. E o Cuca? Não fez nada.
  • O Romário não ter sido convidado para substituir o Joel. Sério. Se a opção é ou um novato almofadinha ou um veterano fracassado, por que não chamar o Romário? Moral ele tem. Principalmente com a torcida. E, convenhamos, é só deixar como está e ficar na lateral gritando vamuláporra.

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